Marília

Folha acusa família do ministro Dias Toffoli de ligação com fundo do banco Master

Ministro mariliense, Dias Toffoli, é o relator do inquérito que apura as irregularidades do banco Master (Foto: Divulgação)

Familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, natural de Marília, são apontados como sócios de empresas ligadas a um fundo de investimento conectado à rede financeira do banco Master, segundo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo. A denúncia foi divulgada neste domingo (11) e ganhou destaque na capa da edição na segunda-feira (12).

De acordo com a Folha, duas empresas vinculadas a irmãos e a um primo do ministro teriam integrado, como investidas, o Arleen Fundo de Investimento que, por sua vez, mantinha conexões indiretas com estruturas financeiras investigadas no caso do banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.

Segundo a reportagem, o fundo Arleen possuía participação na Tayayá Administração e Participações, empresa responsável por um resort localizado em Rio Claro, no Paraná. O empreendimento seria ligado à família de Toffoli e tinha dois irmãos como sócios.

Capa desta segunda-feira da Folha de S. Paulo (Imagem: Reprodução)

O mesmo fundo também figurava como sócio da DGEP Empreendimentos, incorporadora que tinha entre os proprietários um primo do ministro e estava instalada na mesma região.

A Folha de S. Paulo divulgou que a ligação com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. Conforme a apuração do periódico, o Arleen era cotista do fundo RWM Plus, que teria recebido recursos de entidades sob suspeita na investigação sobre fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o banco.

Todos esses fundos seriam administrados pela gestora Reag, que é alvo de apuração da Polícia Federal.

Vista do resort Tayayá, em Rio Claro (Foto: Tayayá Resort)

A reportagem relata ainda que o ministro Dias Toffoli é o relator, no STF, do inquérito que apura as irregularidades do banco Master. Conforme o jornal, o ministro decretou sigilo sobre o caso no fim do ano passado, após a chegada de recursos apresentados por advogados dos investigados, o que teria concentrado a tramitação do processo na Suprema Corte.

De acordo com a Folha, o fundo Arleen foi liquidado em novembro de 2025, período que coincidiu com a prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal. O balanço mais recente do fundo, datado de maio de 2025, apontava patrimônio líquido de R$ 34,6 milhões, com a maior parte dos investimentos concentrada nas empresas ligadas aos familiares do ministro, segundo o jornal.

Infográfico e conteúdo jornalístico nas páginas da Folha de S. Paulo citam parentes do ministro do STF (Foto: Reprodução)

A reportagem também aponta que o resort Tayayá e a incorporadora DGEP compartilham o mesmo endereço comercial e histórico societário envolvendo integrantes da família Toffoli.

Em 2017, conforme lembra a Folha, o ministro foi homenageado por autoridades locais pelo apoio ao projeto turístico, antes de o empreendimento passar a constar nos registros financeiros do fundo.

Segundo o jornal, o ministro Dias Toffoli, os familiares citados, os representantes das empresas mencionadas e a gestora Reag foram procurados, mas não se manifestaram até a publicação da reportagem. A defesa de Daniel Vorcaro, ainda de acordo com a Folha de S. Paulo, negou irregularidades e afirmou não haver operações destinadas a beneficiar terceiros.

A Folha destaca que o fundo Arleen não é alvo direto da investigação da Polícia Federal, embora sua participação como cotista em uma rede financeira investigada tenha sido mencionada na apuração do jornal.

O Marília Notícia tentou contato com a assessoria do ministro Dias Toffoli, mas não teve retorno até a publicação desta matéria. Caso haja resposta, o texto será atualizado.

Tayayá tem novo dono, ligado aos Batista, da JBS

Atualmente, o Tayayá – resort de alto luxo localizado em Rio Claro, no Paraná, bastante frequentado pela alta sociedade mariliense – atualmente é de propriedade de um advogado de Goiás.

Paulo Humberto Barbosa trabalha para o grupo JBS, comandado pelos irmãos Batista, Joesley e Wesley.

De acordo com a apuração a Folha, Barbosa entrou no negócio em fevereiro de 2025, adquirindo a parte que pertencia à Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli – José Carlos é conhecido em Marília como padre Carlão, religioso ordenado na Igreja Católica.

“Na época, o negócio foi estimado em R$ 3,5 milhões. O primo do ministro do Supremo Mario Umberto Degani seguiu no negócio até setembro de 2025, quando também vendeu a sua parte para Paulo Humberto Barbosa”, concluiu a Folha de S. Paulo.

Ramon Barbosa Franco

Recent Posts

MP faz nova denúncia por importunação sexual contra psiquiatra em Marília

Rafael Pascon, de 43 anos, está preso em Gália (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia) A Justiça…

1 hora ago

Cesta básica cai em todas as capitais do país no 2º semestre de 2025

O preço da cesta básica de alimentos caiu em todas as 27 capitais brasileiras no…

2 horas ago

Polícia Federal realiza operação para combater tráfico de cocaína do PCC

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Expurgo para combater…

3 horas ago

Decreto atualiza auxílio-saúde de servidores da Amae e do Ipremm em Marília

Vinicius Camarinha oficializa reajuste do auxílio-saúde em autarquias municipais (Foto: Divulgação) O prefeito de Marília,…

4 horas ago

Confusão entre vizinhos envolve agressão a cão, mordida em criança e ameaça

A Polícia Civil de Marília apura uma confusão entre vizinhos registrada no bairro Parque das…

5 horas ago

‘Transferi R$ 800 mil para pagar dívida de R$ 75 mil’, afirma acusado

Incêndio foi provocado para apagar vestígios do crime (Foto: NC Pompeia) O empresário Marcelo Alves…

5 horas ago

This website uses cookies.