Polícia

‘Feliz em ver que a Justiça está sendo feita’, diz mulher sobre condenação

Rafael Pascon dos Santos está preso na Penitenciária de Gália (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A condenação do médico psiquiatra Rafael Pascon dos Santos ao cumprimento de uma pena de 24 anos e 16 dias de prisão, em regime inicial fechado, trouxe um sentimento de alívio para as mulheres que o denunciaram. Após a sentença, elas comentaram os impactos da decisão judicial e destacaram a importância da visibilidade dada ao caso pelo Marília Notícia para encorajar outras denúncias.

Uma das pacientes, que afirma ter denunciado o médico, disse ter recebido a condenação com sensação de reconhecimento de sua versão dos fatos.

“Feliz em ver que a Justiça está sendo feita. Que essa condenação traga a sensação de que a verdade foi reconhecida e que a Justiça prevaleceu. Que também traga alívio às vítimas e reforce a importância de denunciar, pois toda denúncia pode ser um passo fundamental para romper o silêncio e buscar proteção e Justiça”, afirmou.

Outra paciente relatou o impacto emocional provocado pela decisão judicial.

“Eu me senti aliviada. Por mais que a nossa Justiça humana aqui seja morosa e falha, enfim, uma condenação criminal é o mínimo que a gente espera de uma Justiça dos homens sendo feita. De alguma forma, ele está sendo responsabilizado pelos crimes que ele cometeu”, declarou.

As mulheres ouvidas também afirmaram esperar que o resultado deste primeiro processo – julgado em Marília – não seja um caso isolado.

“Acredito que ele vá ser condenado por mais crimes. Que a Justiça continue sendo feita para ele responder pelos crimes que cometeu”, acrescentou a paciente.

Além da pena de prisão, as denunciantes defendem uma punição na esfera profissional. Elas esperam que o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que já suspendeu o registro do psiquiatra, decida pela cassação definitiva da licença médica de Pascon.

“Esperamos que, por Justiça, ele também seja penalizado perante ao conselho profissional dele, o CRM. Que ele seja banido da medicina, que seja cassada a licença dele clinicar. Que ele não possa mais exercer essa profissão, que é tão digna para uma pessoa tão indigna”, afirmou uma das mulheres.

A importância da imprensa para romper o silêncio

As denunciantes também destacaram o papel da imprensa na divulgação do caso. O Marília Notícia, primeiro veículo a publicar relatos das pacientes, foi citado como importante para ampliar a repercussão das denúncias e incentivar outras mulheres a procurarem as autoridades.

“A imprensa, no caso o Marília Notícia, teve um papel muito importante nesse caso, principalmente por dar visibilidade à denúncia e ampliar a voz das vítimas. Quando situações como essa ganham espaço público, isso ajuda a mostrar a importância de ouvir quem denuncia, de combater a impunidade e de reforçar que a violência não deve ser silenciada. A divulgação também contribui para que a sociedade reflita sobre a necessidade de acolhimento às vítimas e de que a Justiça seja feita”, declarou uma das pacientes.

Segundo os relatos, a cobertura jornalística contribuiu para esclarecer os fatos e estimular outras mulheres a relatarem situações semelhantes.

Uma das denunciantes observou que crimes de natureza sexual frequentemente levam pessoas a optarem pelo anonimato, por medo, constrangimento ou receio de revitimização. Para ela, a divulgação do caso ajudou a ampliar o debate sobre acolhimento e denúncia.

“O papel da imprensa, nesse caso, foi de suma importância, no sentido de esclarecer, de divulgar e de encorajar mais vítimas a se pronunciarem”, disse.

Próximos passos e desdobramentos

Rafael Pascon está preso preventivamente desde outubro de 2025. Apesar da condenação proferida pela 3ª Vara Criminal de Marília, a defesa informou que discorda da sentença, especialmente em relação às condenações por estupro de vulnerável, e que irá recorrer aos tribunais competentes.

O psiquiatra também responde a outras ações penais em cidades da região, como Garça e Lins, envolvendo denúncias de supostos abusos durante atendimentos realizados no sistema público de saúde.

Para as mulheres que procuraram a Justiça, a decisão representa um avanço no andamento dos processos e reforça, segundo elas, a importância de denunciar situações semelhantes para que os fatos sejam apurados pelas autoridades competentes.

Defesa na íntegra

“Por se tratar de processo com segredo de justiça decretado, a defesa se limitará a dizer tão somente que não concorda com a sentença condenatória, principalmente no que se refere aos dois supostos estupros de vulnerável, e que continuará sustentando suas teses no Tribunal de Justiça de São Paulo e, se necessário, nos Tribunais Superiores.”

Alcyr Netto

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