Brasil e Mundo

Falta de gasolina na Venezuela se agrava e amplia crise chavista

Marín Mendez descansava ao sol encostado em seu Malibu depois de empurrá-lo em uma larga fila de carros num posto de gasolina em Maracaibo, ironicamente a capital do petróleo na Venezuela. As horas que esperava para encher o tanque lhe custavam muito mais que o tanque cheio – estimado no país em apenas US$ 0,1.

“Não aguento mais”, reclamou, depois de passar 40 minutos imóvel na fila. “Fila para a aposentadoria, fila para comprar comida, fila para a gasolina. Não dá mais.”

Em Maracaibo, onde a escassez já leva três anos, os apagões constantes também dificultam o fornecimento, porque as bombas nos postos deixam de funcionar. Apenas dois dos 150 postos da cidade tem geradores para fornecer gasolina durante os apagões.

Méndez já avalia a possibilidade de guardar o combustível em casa, apesar dos riscos envolvidos. Depende do carro para complementar a renda da aposentadoria, de apenas US$ 6 mensais. “Meus netos não sabem o que é comer carne ou frango”, disse.

A escassez de gasolina não é novidade no oeste da Venezuela, depois que o governo passou a restringir o fornecimento de combustível em uma tentativa de coibir o contrabando de combustível para a vizinha Colômbia. Com as sanções impostas pelo governo americano em janeiro ao regime de Nicolás Maduro, no entanto, a escassez de combustível deve atingir toda a Venezuela.

No ano passado, a estatal do petróleo PDVSA entregava 160 mil barris por dia de gasolina para uso doméstico. Com as sanções, analistas projetam que esse fornecimento caia para 60 mil barris diário, suficientes para atender apenas 38% da demanda. Antes das sanções, no entanto, a produção de gasolina na Venezuela já vinha caindo.

Um agravante da situação é o veto americano, também incluído nas sanções de janeiro, à venda de diluentes de petróleo, usado no processamento de gasolina. Parte da demanda foi fornecida pela Rússia, mas será insuficiente para processar todo o combustível consumido na Venezuela, segundo a consultoria Caracas Capital.

Em San Cristóbal, no Estado de Táchira, os efeitos foram mais imediatos. Ali, Gerardo Márquez, um mecânico de 55 anos chegou à fila quilométrica do posto de gasolina na tarde de segunda-feira Na terça-feira, o prometido caminhão com combustível não chegou, mas ele seguia impassível na fila. Na quarta-feira, contou com a ajuda de parentes, que lhe traziam água, comida e guardavam o carro para que ele pudesse ir ao banheiro. “Estamos com medo de sermos roubados”, contou.

Em Caracas, a capital, os moradores já se preparam para a escassez de gasolina. Já há relatos de gente estocando gasolina em casa.

“A maioria dos venezuelanos não tem ideia do que vem pela frente”, disse o taxista Jhaims Bastidas. “A escassez vai piorar “

Agência Estado

Recent Posts

Câmara Municipal convoca audiência sobre fogos com estampido em Marília

Em Marília, o estouro de fogos com estampidos é proibido desde 2019 (Foto: Divulgação) A…

5 horas ago

Prefeitura abre licitação de R$ 106 mil para compra de lâmpadas e refletores

Edital prevê a aquisição de até 4.901 lâmpadas para espaços públicos municipais (Foto: Arquivo: MN)…

5 horas ago

Em sabatina, Messias defende autocontenção do STF em pautas polêmicas

O indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) Jorge Messias defendeu, em sabatina na Comissão de…

6 horas ago

Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025, aponta estudo

O Brasil perdeu 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em floresta tropical úmida em…

6 horas ago

Inscrições para vagas remanescentes do Fies terminam nesta quarta-feira

As inscrições gratuitas para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do primeiro…

6 horas ago

Professores temporários poderão assumir jornada especial em Marília

Professores contratados por tempo determinado poderão participar da atribuição de aulas em jornada especial na…

7 horas ago

This website uses cookies.