Marília

Falta de clareza faz profissionais da vacinação agirem por conta

A falta de um protocolo claro para evitar o desperdício de vacinas contra a Covid-19 tem feito profissionais da saúde de Marília agirem por conta própria, com a criação de regras para abertura de novos frascos e até mesmo com a realização de “xepa” para pessoas que não compõem os grupos prioritários.

A chamada “xepa” é a distribuição das doses restantes de ampolas já abertas, que seriam perdidas. Prática que vem sendo adotada em muitas cidades, principalmente na capital paulista.

Em Marília são aplicadas, principalmente, a AstraZeneca, que precisa ser consumida em até 48 horas após abertura do frasco – para dez doses -, e a CoronaVac, que exige a aplicação em no máximo oito horas.

Conforme relatos obtidos pela reportagem junto a profissionais que lidam diretamente com a vacinação, algumas unidades passaram a proibir a abertura de novas ampolas depois das 16h, com o objetivo de evitar desperdícios, já que os postos funcionam até as 17h.

Além disso, o Marília Notícia revelou nesta quarta-feira (23) que algumas unidades de saúde do município estavam cadastrando pessoas com mais de 18 anos, sem comorbidades, para a convocação e aplicação da vacina, no caso de sobra das doses no final do expediente.

Médicos ouvidos pela reportagem disseram ter tomado a decisão sem o aval da Secretaria Municipal da Saúde, por conta e risco, para evitar a perda da vacina remanescente – o que já teria ocorrido em outras ocasiões.

Após a publicação da reportagem, a Secretaria da Saúde teria orientado todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades da Saúde da Família (USF) a informarem a população que não existe cadastro para “xepa” na cidade.

Nesta quinta-feira (24), a administração municipal emitiu duas notas após questionamentos feitos pelo MN.

O Executivo insiste que não há na cidade um cadastro-geral para a chamada “xepa”, e confirma que alguns postos de saúde vêm entrando em contato com moradores dos bairros em que estão localizados. Mas garante que tais pacientes fazem parte das faixas etárias (entre outras exigências) previstas no cronograma municipal de imunização.

Segundo a versão oficial, não há aplicação de doses em grupos não previstos no plano. Contudo, não fica claro o que acontece quando os agentes de saúde não conseguem encontrar pessoas dos públicos-alvo. Eventuais doses restantes são descartadas? Não foi feito este esclarecimento.

NOTAS

Primeira nota enviada pela Prefeitura:

“Para otimizar as doses (remanescentes) as Unidades de Saúde devem convocar a população conforme o Plano Municipal de Imunização. Seguindo os grupos prioritários para vacinação: Comorbidades 18 anos ou mais; Idosos; população sem Comorbidades de 43 anos ou mais.”

Segunda nota, mais detalhada:

“A Prefeitura de Marília através da Secretaria Municipal da Saúde informa que não há cadastro para receber a vacina contra o coronavírus na forma de ‘xepa’ em Marília.

Esse procedimento somente ocorre, quando é administrada nos postos de saúde a vacina CoronaVac que tem um prazo determinado de vencimento após a abertura do fraco. As demais marcas de vacinas têm prazos maiores de utilização e podem ser administrados no dia seguinte.

Com a CoronaVac, os próprios agentes de saúde, que já conhecem a população do bairro, ligam para os pacientes que vão até o local e recebem a vacina dentro do cronograma de faixas etárias estabelecidos pelo Estado e município.”

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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