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Falta de água muda planos de famílias e gera desgaste em Garça

Moradores de Garça conviveram final de 2025 e início de 2026 com torneiras secas e pias sujas em Garça (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

O fim de 2025 e início de 2026 têm sido marcados por transtornos para os moradores de Garça, que enfrentam uma crise no abastecimento de água já prolongada por vários dias e ainda sem solução total em alguns bairros.

O problema começou em 28 de dezembro, quando o sistema de transporte de água sofreu uma interrupção técnica provocada por um pico de energia, que afetou diretamente o envio de força até a Estação de Tratamento.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) informou inicialmente que as bombas não haviam sido danificadas, mas que seria necessário aguardar a redução do nível da água no local para que o reparo pudesse ser realizado com segurança.

No dia seguinte, a autarquia comunicou que, desde as 7h, equipes atuavam na Estação B1 para recuperar uma peça danificada pelo pico de energia. Naquele momento, o sistema ainda não tinha capacidade de transportar água até a estação de tratamento, o que comprometeu o abastecimento em diversos bairros.

Os trabalhos de manutenção se estenderam ao longo do dia 30 de dezembro.

Apesar do trabalho do Saae, abastecimento de água ainda não foi retomado em boa parte da cidade de Garça (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

Com o passar das horas, a situação se agravou. Se durante o dia alguns bairros ainda registravam pouca água, à noite as torneiras secaram completamente em várias regiões da cidade.

Ainda no dia 30, o Saae divulgou um novo comunicado informando que, graças ao trabalho contínuo das equipes, o sistema de abastecimento havia entrado em fase de recuperação, com retorno gradual do fornecimento. Na mesma noite, a autarquia anunciou que um caminhão-pipa seria disponibilizado para atendimento emergencial da população até a normalização total.

Apesar das promessas de recuperação, os dias se passaram e, nesta sexta-feira (2), moradores relatam que ainda havia bairros sem nenhuma gota de água. A situação tem gerado revolta e desgaste, especialmente pelo período de festas e de altas temperaturas, o que afetou a rotina das famílias e até provocou mudanças de planos.

A advogada Tatiane Cristina, que passou o fim de ano na casa de familiares em Garça, contou que decidiu antecipar o retorno para Marília diante da falta de água.

“Nunca vi uma situação assim em Garça durar tantos dias. O que era para ser um final de ano tranquilo em família se transformou em um grande transtorno. Tivemos que revezar o banho na casa de alguns parentes. O pior de tudo era o banheiro. Não tinha água nem para a descarga. Foi terrível”, relatou.

Nas redes sociais do Saae, as reclamações se multiplicam. Moradores questionam a falta de um revezamento no abastecimento entre os bairros e cobram medidas mais efetivas para minimizar os impactos. Em uma das manifestações, a moradora Silvia Gonçalves desabafou após ficar cinco dias sem água na torneira.

“Quinto dia sem uma gota na torneira. Se tem bairro que tem água à vontade, não seria o caso de fazer um revezamento? Deixar faltar onde já chegou um pouco e mandar para os bairros que estão há cinco dias sem nada? Será que não é possível fazer isso?”, questionou.

Outro lado

O Marília Notícia questionou o Saae sobre uma previsão para a normalização do fornecimento de água em Garça. Em nota, a autarquia afirmou que houve um problema inesperado e que o sistema já está em pleno funcionamento, mas que a retomada completa ainda pode levar alguns dias.

“Ao longo do último ano, especialmente no segundo semestre, o sistema de abastecimento enfrentou uma sequência de eventos inesperados, como quedas de energia, incêndios, o vendaval que atingiu todo o Estado e o rompimento de uma importante tubulação da adutora B1. Todos esses episódios foram enfrentados e solucionados em tempo recorde pelas equipes técnicas.

No episódio mais recente, novamente a adutora B1 foi afetada. Uma pane na rede provocou o desligamento do sistema e, no momento do retorno do bombeamento, ocorreu o chamado golpe de aríete, que causou o rompimento da tubulação em um ponto delicado da adutora. A força da água gerou uma inundação no local, exigindo o desligamento imediato das bombas.

As equipes do Saae trabalharam de forma ininterrupta para corrigir o problema. Durante esse processo, outros vazamentos surgiram e também precisaram ser reparados. Após a conclusão dos serviços, o sistema foi totalmente restabelecido, com todas as bombas em funcionamento, enviando água para os diversos reservatórios da cidade.

Para atender a população durante esse período, o Saae, em conjunto com a Prefeitura, está disponibilizando quatro caminhões-pipa, além da abertura de escolas e unidades educacionais que possuem grandes reservatórios e estão auxiliando no atendimento à demanda: Escola João Crisóstomo, Orane, Escola Manoel, Escola Cláudia Arone, Escola Edson Puga e a Creche Karina. Diante da gravidade da situação, o prefeito também decretou estado de emergência por conta da crise hídrica.

Paralelamente às ações emergenciais, já estão em andamento medidas estruturais que visam resolver a situação de forma definitiva, enfrentando problemas atuais e históricos do sistema de abastecimento. Três poços já estão em processo de abertura de licitação, em regiões estratégicas da cidade, e há a previsão de pelo menos mais três novos poços ao longo do ano. O Saae também iniciou, por meio de contratação, a interligação de novas redes, especialmente para melhorar o abastecimento nas áreas mais altas.

O Saae e a Prefeitura entendem e reconhecem as manifestações e a necessidade da população diante da falta de água. Ao mesmo tempo, reforçam que estão trabalhando de forma contínua, com ações emergenciais e também estruturais, para enfrentar os problemas atuais e históricos e evitar que situações como essa se repitam.

A população que precisar de caminhão-pipa pode solicitar o atendimento exclusivamente por mensagem de WhatsApp, no número (14) 98146-3363.

Neste momento, os reservatórios estão sendo reabastecidos. A água chega primeiro às regiões mais baixas e, gradualmente, às áreas mais altas da cidade. Esse processo pode levar alguns dias até que o sistema esteja totalmente normalizado.

Pedimos a colaboração de todos: quem já estiver recebendo água, utilize com consciência, evitando qualquer tipo de desperdício. Todos os esforços estão sendo feitos para restabelecer o abastecimento o mais rápido possível.”

Alcyr Netto

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