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Existe um momento ideal para morar com o parceiro? Especialistas respondem

A vida é repleta de questionamentos que começam individuais e amadurecem para o coletivo quando se está envolvido com alguém com reciprocidade. Logo, se o relacionamento está caminhando bem, é natural se perguntar qual é o momento ideal para morar junto. Dividir um lar com um parceiro, ter uma união estável e/ou se casar são passos importantes e, que de certa forma, estão interligados. Antes de decidir se esse é o caminho, vale analisar bem sua relação amorosa e se, de fato, ambos estão preparados para trilhar uma nova fase.

O período ideal para tomar esse tipo de decisão não existe, mas equilibrar desejos, expectativas e ter espaço para um diálogo saudável são pontos cruciais de qualquer relacionamento. O interesse em compartilhar o cotidiano e a sensação de falta quando não estão juntos são sinais de que um casal pode estar emocionalmente pronto para dividir o mesmo teto e, futuramente, até se casar. Claro que toda mudança também pode estar atrelada a algumas questões práticas.

“Podemos discutir a divisão de despesas, ou até mesmo considerar a opção de sair da casa do pais para estabelecer uma relação mais estável”, reflete Cristiana Pereira, psicóloga clínica especializada em terapia de casais e coordenadora do Instituto de Terapia Familiar de São Paulo.

O aspecto mais crucial é o cerne da relação, o que o casal quer construir em conjunto. “Quando eu atendo casais, muitas vezes volto a questionar: por que vocês resolveram morar juntos ou casar? São mudanças relevantes na história de vida e é importante que eles sintam isso como uma melhoria, algo que foi refletido e desejado”, diz Pereira.

Encontrar um equilíbrio saudável entre o individualismo e a vida compartilhada é outro passo importante para evitar a dependência excessiva na hora de “juntar as escovas de dentes”. Afinal, estar junto é um prazer ou uma necessidade? Nina Ferreira, médica psiquiatra pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, especialista em terapia cognitivo-comportamental, pontua que se houver conforto na companhia, sem uma exigência constante de estar junto, a convivência frequente pode ser positiva. No entanto, se a relação torna-se dependente e sufocante, é importante estabelecer limites e momentos individuais. Terapia pode ser uma opção para promover essa autonomia.

Reconhecer que o parceiro é um ser humano com gostos, atitudes e círculos sociais distintos é fundamental para um relacionamento positivo, em que a diversidade é valorizada. “Isso tem a ver com existência individual, essas diferenças são naturais, vão acontecer e é saudável que elas sejam manifestadas. Colocar isso em mente que cada um tenha as suas características, porque cada ser humano é um, ajuda a não ter essa simbiose, esse emaranhamento entre o casal”, analisa Ferreira. “Há casais que vão precisar ter espaços muito delimitados e outros não. Vai muito da percepção dos limites de cada um.”

As conversas não devem se limitar ao emocional e à maturidade, antes de morar junto é relevante discutir abertamente aspectos financeiros, estabelecer uma rotina clara sobre as responsabilidades da vida compartilhada, incluindo cuidados com a casa, horários e lazer. A comunicação é essencial, sendo determinante para o sucesso da relação. Reconhecendo que nem todos se comunicam da mesma forma, é importante que o parceiro mais apto a iniciar conversas assuma a iniciativa. Essas adaptações, relacionadas às diferentes formas de expressão de emoções, contribuem para o sucesso da parceria, reconhecendo a singularidade de cada indivíduo.

“Não é só a comunicação, mas é a comunicação aberta e assertiva. Em um casal, não é um contra o outro, é um com o outro”, explica Giovana Sorza, psicóloga e especialista em terapia cognitivo-comportamental formada pela HCFM/USP. Sem esse canal de diálogo, fica complicado o amor vencer a rotina, que pode ser bem desafiadora.

A transparência evita conflitos futuros, assim como alinhamento das expectativas, gastos e divisões de responsabilidades. Dessa forma, há espaço para uma convivência harmoniosa e bem-sucedida. Cada parceria precisa entender a dinâmica da relação, caso seja necessário ter um frequência de conversas e ajustes para que ambos se sintam satisfeitos com a vida compartilhada.

Em relação ao tempo do relacionamento, Sorza diz que não há uma resposta específica. “Não são dias, meses ou anos que vão decidir o momento de morar junto, mas a maturidade do relacionamento e a disposição de ambos de construir algo sólido e saudável”, completa. Ela também pontua que para algumas pessoas morar junto equivale a um casamento, enquanto para outras há um peso maior para a decisão do matrimônio em si.

Para ter a certeza de que a decisão de morar junto, fazer uma união estável ou se casar é consciente e não influenciada por pressões externas, é recomendado pelas terapeutas de casais a conexão com emoções pessoais.

Tendo em mente como será o cotidiano compartilhado, visualizando situações práticas e atividades diárias. Se esse exercício evoca sentimentos de bem-estar, curiosidade e interesse, há o indicativo para uma escolha positiva. Do contrário, se há resistência, desconforto ou falta de vontade, é necessário sentar, conversar e reconsiderar a decisão. É um momento para ser transparente consigo mesmo e reconhecer que as emoções são guias confiáveis para determinar se morar junto é uma escolha genuína e desejada.

Por RAÍSSA BASÍLIO

Folhapress

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