A forte estiagem que atinge Marília em 2025 já deixou marcas profundas na paisagem urbana e na qualidade de vida da população. Um exemplo simbólico é o lago do Jardim Aquarius, na zona oeste, que secou com a falta de chuvas. O local, que já foi cartão-postal da cidade, cenário de fotos de casamento e ponto de lazer para moradores, hoje é motivo de tristeza.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), entre janeiro e setembro choveu 637,4 milímetros em Marília, contra 791,4 mm registrados no mesmo período do ano passado — uma queda de 19,5%.
As maiores reduções ocorreram no início do ano. Em janeiro, o índice caiu de 239,2 mm (2024) para 145 mm. Em março, de 160,8 mm para 71 mm, e em abril, de 147,8 mm para 72,6 mm.
Alguns meses, porém, registraram aumento. Em fevereiro, a chuva subiu de 156,4 mm em 2024 para 196,8 mm em 2025. Já em junho, o volume saltou de 1,2 mm para 113,4 mm.
A estiagem foi mais severa na segunda metade do ano. Julho teve apenas 11 mm de chuva, contra 27,6 mm no ano anterior, e agosto despencou de 43,6 mm para 2,2 mm.
No Jardim Aquarius, moradores lembram com nostalgia os tempos em que o lago abrigava peixes e até jacarés. “Era comum nos fins de semana ver pessoas fazendo fotos de casamento e aniversário. Hoje, isso aqui está muito feio”, lamenta o funcionário público Celso Carnesi, que mora no bairro há 15 anos.
Além da seca, alterações no sistema de galerias pluviais agravaram a situação, desviando o fluxo de água que abastecia o lago. Para o morador Júlio César Lemos Pires, a solução seria devolver parte da água da chuva ao espaço, o que ajudaria a manter o nível e funcionaria como contenção natural.
Rodrigo Más, secretário-adjunto do Meio Ambiente e Serviços Públicos, explicou que o espelho d’água é uma propriedade particular e não um passivo da Prefeitura, embora o município possa colaborar com a limpeza e manutenção. Ele afirmou ainda que a seca está relacionada à sazonalidade, já que a região passa por um período de chuvas escassas.
QUEIMADAS
Enquanto a estiagem compromete áreas de lazer, outro efeito preocupa ainda mais: o aumento das queimadas. Em 2025, diversos pontos da cidade registraram focos de incêndio, agravando a poluição do ar e impactando a saúde da população.
O pesquisador Vitor Engrácia Valenti, da Unesp, alerta que a fumaça das queimadas tem efeito quase imediato no organismo humano. “Em menos de um minuto, partículas ultrafinas entram na corrente sanguínea e alcançam todos os órgãos, elevando o risco de infartos, AVC e problemas cardiovasculares”, explica.
Os impactos também aparecem no longo prazo. Estudos indicam relação entre a exposição contínua à poluição de queimadas e o desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão, insuficiência renal e complicações no fígado. Pessoas com doenças cardíacas pré-existentes estão entre as mais vulneráveis.
“Quando analisamos todas as pesquisas que apontam os malefícios das queimadas e da poluição sobre a saúde, já conseguimos entender que a pessoa que faz queimada, além de cometer um crime ambiental, também participa de um crime gravíssimo contra a saúde pública”, conclui o pesquisador.
O cenário de estiagem e queimadas em Marília reflete um desafio crescente para a cidade: equilibrar preservação ambiental, saúde pública e qualidade de vida. Enquanto moradores cobram soluções para áreas de lazer e autoridades buscam alternativas para enfrentar a seca, especialistas reforçam que combater as queimadas e adotar medidas de prevenção são passos urgentes para reduzir os danos de um fenômeno que, cada vez mais, impacta o dia a dia da população.
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