Brasil e Mundo

Escolha do Nobel começa em meio a acusações

Em setembro do ano passado, o Comitê do Nobel enviou cartas a 700 pessoas e instituições do mundo inteiro com um convite para que sugerissem nomes de possíveis concorrentes ao Prêmio Nobel de Literatura. Agora, em abril, as sugestões serão compartilhadas com os membros da Academia Sueca. O clima, no entanto, depois de denúncias de abuso sexual e de vazamento de informações, não é dos melhores.

Na sexta-feira, 6, três dos 18 membros da instituição que outorga o mais prestigioso prêmio literário do mundo anunciaram sua saída: os escritores Klas Östergren, Kjell Espmark e Peter Egllund. A decisão é um reflexo do descontentamento dos três com a forma com que a instituição se posicionou diante dos escândalos que a afetam.

No final de novembro, em meio à campanha de denúncias de abuso #Metoo, 18 mulheres revelaram de forma anônima ao jornal sueco Dagens Nyheter “humilhações e abusos cometidos por uma personalidade cultural vinculada à instituição, alguns em suas dependências”.

Depois, foi revelado que se tratava de Jean-Claude Arnault, dramaturgo francês residente na Suécia há décadas e casado com Katarina Frostenson, membro da Academia. Ele também estaria por trás dos vazamentos de ganhadores do Nobel em anos recentes, como Le Clézio e Patrick Modiano.

Os cargos na Academia Sueca são vitalícios e a instituição chegou a consultar seus membros sobre uma possível censura a Katarina Frostenson. A maioria disse não. Foi depois dessa iniciativa que os três escritores anunciaram sua saída.

Nobel de 2010, Mario Vargas Llosa disse, ao El País, que se trata de “um grande escândalo que levou a uma divisão muito forte”. Ressaltou, porém, que esta é uma questão local – e que os prêmios Nobel não são.

“A divisão trouxe à luz rivalidades que existem em todas as instituições. Sobre as denúncias, aparentemente muito fundamentadas, a Justiça deve se pronunciar, mas o escândalo não deveria afetar uma instituição que sempre desfrutou de um respeito e audiência universais e serviu para reconhecer a importância de cientistas fundamentais para a humanidade e para fazer com que as pessoas lessem autores que não conheceriam se não fosse pelos prêmios”, disse.

O escritor peruano, que é colaborador do jornal O Estado de S Paulo, completou: “Nós, que estamos de fora, devemos pedir que seja feito todo o possível para que os prêmios e a Academia não sejam afetados”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

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