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Entenda o que é coreorgasmo, o orgasmo que mulheres sentem ao fazer exercícios físicos

A sensação de bem-estar após a prática de exercícios físicos é causada pela liberação de endorfina. Além disso, o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro melhora o humor e proporciona um relaxamento para o corpo e mente. Neste cenário, é possível que algumas mulheres experimentem algo semelhante ao orgasmo.

“O ‘coreorgasmo’ é uma definição para o orgasmo induzido por exercício e se refere a um tipo de prazer que pode ser ativado durante a prática de atividade física que envolve o fortalecimento dos músculos do core. Uma em cada dez mulheres experimenta um coreorgasmo em algum momento da vida”, afirma Silvia Jau, médica ginecologista e obstetra.

O fenômeno é uma resposta fisiológica decorrente do estímulo dos músculos do assoalho pélvico e da região da virilha durante exercícios que envolvam o core (área formada pelos músculos abdominais, do quadril e da região lombar), como abdominais, pilates e ioga, entre outros, explica a médica. Alguns movimentos como contração, fortalecimento e alongamento dos músculos do core e da pelve, podem desencadear o coreorgasmo.

Não são todas as pessoas que vão passar por essa experiência, lembra a ginecologista, e a sensibilidade e resposta podem variar de pessoa para pessoa.

Essa sensação está associada à liberação de hormônios durante a atividade física, que podem gerar uma experiência semelhante ao orgasmo, explica Priscilla Sangiovanni, professora de ioga. Ela destaca que, mesmo com a sua experiência pessoal com a prática de atividade física há anos, nunca experimentou o fenômeno.

Sangiovanni acrescenta que para ocorrer o “coreorgasmo” é preciso contração da região pélvica para sustentar posturas de força e equilíbrio, como a ioga.

“Esse tipo de contração estimula a musculatura de forma que o estímulo se espalha pela região interna da coxa e genital, proporcionando uma sensação semelhante à do orgasmo, embora não seja exatamente o mesmo”, completa.

Quando esses movimentos são intensos durante o exercício, o sistema nervoso central desencadeia a liberação de três neurotransmissores e um hormônio: endorfinas, dopamina, serotonina e ocitocina. Essas substâncias estão associadas com a sensação de prazer, euforia, recompensa, bem-estar, redução do estresse e regulação do humor, explica Aylton Figueira Junior, doutor em fisiologia e adaptação humana.

A ocitocina, além de atuar como hormônio de resposta ao estresse, promove sentimentos de autonomia e confiança, também influencia a glândula suprarrenal, que regula a liberação de hormônios relacionados ao estresse e à atividade sexual, como o cortisol.

“A experiência de prazer durante o exercício é uma resposta normal do corpo ao estresse, e não está relacionada a um treinamento específico para coreorgasmo. Diferentes tipos de exercício podem desencadear sensações semelhantes devido à ativação dos mesmos hormônios associados ao orgasmo”, afirma o especialista.

Essa experiência pode ser instantânea para algumas pessoas, ocorrendo durante ou após os exercícios, enquanto para outras pode exigir tempo ou repetição de movimentos. É importante notar que nem todos experimentam coreorgasmos, e a intensidade pode variar entre indivíduos e experiências.

Priscilla Sangiovanni ressalta que a ocorrência disso pode estar relacionada não apenas à atividade física, mas também ao estado emocional da pessoa. Além disso, a profissional menciona que a ocorrência do coreorgasmo parece ser mais comum em mulheres devido à exposição da região genital e à influência dos hormônios.

A professora de pompoarismo Regina Racco cita também a relação entre exercícios físicos e orgasmos. Como foi citado anteriormente, a liberação de endorfinas e outros neurotransmissores pode contribuir para esse fenômeno.

É uma experiência que ocorre sem estímulo sexual direto ou intencional, que pode facilmente acontecer durante atividades físicas, afirma Racco. Situações cotidianas, seja com exercícios físicos intensos ou um estímulo emocional pode levar o corpo a um orgasmo.

“Muitas mulheres enfrentam dificuldades em ter orgasmos”, afirma Racco. “A vergonha e os tabus em torno do sexo afetam nossa percepção e vivência. É impressionante como o aspecto psicológico pesa tanto na nossa experiência sexual”, completa. Logo, é possível que o orgasmo espontâneo aconteça sem que a mesma tenha o conhecimento do que seja, por ainda não ter vivenciado essa sensação.

Entretanto, o fisiologista completa que há poucos estudos sobre a associação entre orgasmo e exercício físico.

“Na literatura científica, especificamente na base de dados PubMed, foram encontrados 131 estudos que exploram a relação entre orgasmo e exercício, abrangendo o período de 1974 a 2024 e incluindo diversos tipos de trabalhos científicos”, afirma o fisiologista. “No entanto, ao analisar especificamente os estudos do tipo meta-análise e revisão sistemática, apenas sete trabalhos foram identificados, indicando uma falta de consenso científico nessa área.”

POR RAÍSSA BASÍLIO

Folhapress

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