Política

Em 2015, Dilma foi criticada por levar uma semana para visitar Mariana

A então presidente da República, Dilma Rousseff, só visitou Mariana uma semana depois da tragédia (Foto: Arquivo)

A visita do presidente Jair Bolsonaro à Brumadinho (MG) neste sábado, 26, um dia após o rompimento da barragem da Vale, gerou comparações nas redes sociais com a atuação das autoridades após o rompimento das barragens em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015. A então presidente da República, Dilma Rousseff, só visitou a cidade uma semana depois da tragédia, no dia 12 de novembro. A demora foi criticada por representantes de órgãos federais e da sociedade civil. Na época, Dilma respondeu, após a visita, que ia lá “para fazer, não só para visitar”.

No dia do rompimento da barragem em Mariana, Dilma estava em Alagoas para inauguração do terceiro trecho do Canal do Sertão, obra hídrica para transporte de água do Rio São Francisco para o interior do Estado. Estava acompanhada do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi. Ambos retornaram a Brasília na tarde do dia 5, conforme estava agendado. Occhi visitou o local atingido pela tragédia em Mariana, acompanhado do então governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, no dia seguinte.

A ministra do Meio Ambiente na época, Izabella Teixeira, só sobrevoou a região pela primeira vez ao lado de Dilma, no dia 12 Antes, disse à imprensa que a responsabilidade ambiental era da empresa. Pimentel também foi criticado em 2015 por dar coletiva de imprensa no dia 8 de novembro na sede da Samarco, a empresa responsável pelas barragens que romperam.

Ricardo Vescovi, presidente da Samarco em 2015, compareceu à usina no mesmo dia do acidente e gravou um “comunicado à sociedade”. No material publicado na conta do Facebook da empresa, ele confirma o rompimento de duas barragens e fala sobre um plano de ação da empresa feito em conjunto com o Corpo de Bombeiros e “autoridades competentes”. Mas só no dia 11 deu uma coletiva de imprensa em conjunto com o presidente da Vale, Murilo Ferreira, e Andrew Mackenzie, presidente da mineradora australiana BHP Billiton. As três empresas formavam o conglomerado responsável pela Samarco.

A Vale divulgou uma nota no dia 6 de novembro, um dia após o acidente, e Murilo Ferreira sobrevoou o local no dia 7, mas se manteve em silêncio até o dia 11.

A tragédia de Brumadinho teve respostas bem mais rápidas das autoridades. Tanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, quanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já sobrevoaram a região no dia do rompimento da barragem, 25 de janeiro. Zema, em entrevista coletiva à noite, informou que se encontrariam “somente corpos”. No sábado, 26, ele conversou novamente com a imprensa junto com Ricardo Salles após sobrevoarem novamente o local em companhia do presidente Jair Bolsonaro e de secretários do governo de Minas. Bolsonaro se manifestou pelo Twitter e detalhou as atas do decreto assinado por ele no dia 25, que determinou a criação do Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastre coordenado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Após reunião de trabalho com Zema e Salles, Bolsonaro deixou Minas sem falar com a imprensa.

Fabio Schvartsman, presidente da Vale desde 2017, convocou uma coletiva de imprensa no próprio dia 25, no Rio de Janeiro, declarou que o rompimento em Brumadinho deve ser uma tragédia “mais humana que ambiental” e informou que a barragem estava desativada havia três anos. Um gabiente de crise foi criado para auxiliar o resgate e dar assistência às famílias das vítimas, a maioria funcionários da própria empresa. Ele afirmou, na noite do dia 25, que viajaria para Brumadinho logo em seguida.

Marília Notícia

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