Marília

É alto o ‘risco de surto de dengue’ em Marília, aponta a Zoonoses

Uma nova bomba relógio na área da saúde pública em Marília precisa ser desarmada de forma urgente, com a ajuda crucial da população. O município entrou oficialmente na classificação de “risco de surto para dengue”.

A informação foi confirmada com exclusividade ao Marília Notícia pelo veterinário da Divisão de Zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde, Lupércio Garrido, com base no Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (Liraa), realizado na cidade no mês passado.

A situação é especialmente preocupante em decorrência da grande demanda nos postos de saúde e hospitais por pacientes da Covid-19, cujos leitos reservados estão praticamente em colapso.

Desta vez, o chamado Índice de Breteau ficou em 4,2. Em outubro do ano passado, o mesmo foi 2,8. Atualmente, algumas regiões da cidade atingiram o preocupante nível de 6,76, conforme relatórios da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), acessados pela reportagem do MN.

ÍNDICE

O Índice de Breteau diz respeito ao número de larvas do Aedes encontradas em relação aos imóveis vistoriados.

O Ministério da Saúde, com base na Organização Mundial da Saúde (OMS), considera que índices inferiores a 1% indicam “condições satisfatórias”. De 1% a 3,9% é considerada “situação de alerta”. Quando acima de 3,9%, a infestação representa “risco de surto de dengue”.

“Estamos reforçando as vistorias casa a casa, mas a população precisa assumir sua responsabilidade e eliminar pontos de água parada que servem para reprodução do Aedes aegypti”, afirma Garrido.

De acordo com o veterinário, Marília possui 120 mil imóveis, o que torna muito difícil a vistoria em 100% deles com o atual número de agentes. “Do ovo ao mosquito formado, voando e picando, leva sete dias. Não temos como visitar 120 mil imóveis uma vez por semana”, afirma.

Além do Breteau, o Liraa também aponta o Índice Predial (número de imóveis com larvas por número de imóveis vistoriados), mas – neste caso – Garrido sustenta que o primeiro, mais elevado, é que deve ser observado para a classificação de risco.

PERIGO

Relatório epidemiológico final de 2021 – publicado pela Prefeitura de Marília – apontou recorde de casos de dengue, em relação aos últimos seis anos. De janeiro a dezembro, a cidade teve uma epidemia com 2.940 vítimas da doença; média superior a 56 casos por semana.

Foi o pior ano para o controle da doença, desde a “grande epidemia” de 2015, quando a doença fez mais de 20 mil vítimas na cidade.

Em 2021, ao todo, a Saúde recebeu 5.683 notificações das unidades municipais, serviços privados e hospitais. A positividade foi de 51,73% dos casos investigados.

Segundo consta em ação civil pública motivada pela epidemia de 2015, em julho de 2014, o Índice de Breteau em Marília foi de 5,7. No mesmo mês do ano anterior, foi de 4,2. Em julho de 2012, foi 2,7. De 2011, foi de 1,6.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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