O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Sergio Caetano, afirmou nesta sexta-feira (8), em conferência com investidores e analistas de mercado, que os dividendos extraordinários da estatal retidos no ano de 2023 serão utilizados exclusivamente para dividendos.
Na noite de quinta-feira (7), a petroleira anunciou que o lucro remanescente do exercício, após os dividendos e formação de reservas legais e estatutária, totalizou R$ 43,9 bilhões no ano passado.
O comunicado, no entanto, destacou que o conselho de administração havia recomendado que esse montante fosse integralmente destinado para a reserva de remuneração do capital, como previsto no estatuto social da companhia.
Caetano reforçou que a finalidade é assegurar recursos para o pagamento de dividendos, juros sobre o capital próprio, suas antecipações e recompras de ações.
“A reserva foi utilizada para equalizar pagamento de dividendos. Essa reserva não será destinada para investimentos. Não é para acordo tributário. Para fusão. Não está destinada para tapar prejuízo, que não está no cenários”, afirmou. “Foi destinada para dividendos e será usada para dividendos.”
O executivo também reforçou que não haverá mudança na política de remuneração dos acionistas. “Não há nenhuma indicação para que isso aconteça.”
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, reforçou que o valor de reserva também não será destinado para o pagamento de dívida, como foi ventilado em alguns segmentos de mercado na manhã desta sexta.
Prates complementou que um dos acionistas relevantes da estatal é a União, e que também não receberá o recurso.
Os dividendos complementares ordinários do quarto trimestre, por sua vez, serão pagos em duas parcelas iguais nos meses de maio e junho de 2024.
Os investidores também quiseram entender o processo de decisão e a lógica dos integrantes do conselho para reter os dividendos extraordinários, bem como a participação do governo na decisão. Caetano destacou que não poderia comentar os detalhes.
Os analistas financeiros aguardavam a distribuição de 50% dos dividendos extraordinários, permitidos pelo estatuto e endossados pela diretoria, segundo relatos feitos à Folha de S.Paulo. O conselho, no entanto, barrou essa proposta.
A divergência, seguida da retenção de dividendos extraordinários, levou a forte queda das ações nesta sexta. No pior momento, a Petrobras a perdeu mais de R$ 70 bilhões em valor de mercado.
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