Esportes

Diniz, do São Paulo, critica pressão em treinadores

Com altos e baixos em campo nesta temporada, o São Paulo está na briga pelas primeiras colocações no Campeonato Brasileiro – com direito a vitórias fora de casa contra Palmeiras e Flamengo – e já se classificou às quartas de final da Copa do Brasil, mas foi eliminado da Copa Libertadores e no Campeonato Paulista caiu para o modesto Mirassol nas quartas de final. Por conta disso, o técnico Fernando Diniz convive com uma pressão por não conseguir uma regularidade com a equipe, o que gerou críticas de sua parte.

“Aqui em seis dias eu não servia mais. Ontem (domingo) a gente ganhou de 4 a 1 do Flamengo e hoje devo estar servindo. Isso para o modelo do Brasil a gente não vai caminhar para lugar nenhum”, disse o treinador, na noite de segunda-feira, em entrevista ao SporTV.

Para Diniz, a pressão imposta sobre os treinadores no Brasil após cada derrota não é aceitável, pois a análise do jogo deixa de ser sobre o desempenho e passa ser somente sobre o resultado final. “O julgamento que se faz e todo mundo faz uma pressão exagerada é que em seis dias aquilo que era bom deixa de ser bom Assim como eu entendo perfeitamente com as palavras do Dome (Torrent, técnico do Flamengo) ontem que um time que tinha 12 partidas invictas, com nove vitórias, sofre um revés contra o São Paulo e todas as perguntas são negativas, questionando tudo, o sistema defensivo… Aconteceu com ele, já aconteceu comigo, vai acontecer com outros”, afirmou.

“Fica uma pressão exagerada, que passa para o torcedor e não faz parte da realidade. Ontem jogamos bem, tivemos méritos, mas o Flamengo perdeu pênalti, bola na trave, uma outra chance de gol. O jogo contra o Inter, por exemplo, a gente chutou 19 vezes, o Inter quatro e o jogo terminou 1 a 1. Aquele desempenho do Inter foi condizente com ontem. O futebol então não se explica com o resultado final da partida”, prosseguiu.

Diniz revelou ainda que não gosta de fazer muitas mudanças no time a cada rodada. Na opinião do técnico, é importante dar sequência à equipe formatada para fixar a ideia de jogo. “Eu tenho como característica ser mais resistente a esse tipo de rodízio. A gente está formatando um time que está tendo uma sequência. Acho que com a sequência de jogos com o mesmo time, o time fica mais forte. Quando todo mundo está jogando consistentemente, dá para mexer um pouco mais, mas este é o terceiro time que a gente monta esse ano, que tem uma sequência”, disse.

Sobre a possibilidade de o São Paulo disputar três títulos na temporada – Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana -, o treinador afirmou não estar disposto a abrir mão de nenhum deles e que não muda o jeito de jogar do time dependendo da competição. “Eu não mudo o jeito de jogar em pontos corridos e mata-mata. Acho que é (importante) sedimentar uma maneira de jogar. Acho que muitas modificações enfraquecem o time. Não adaptações. Adaptações, a gente tem que fazer, mas a gente procura melhorar e aprofundar o jeito de jogar do time. A tendência é não priorizar competições. Se estivermos em três, vamos tentar ganhar todas”, completou.

Nesta quarta-feira, o São Paulo já tem mais um importante desafio. O time tricolor enfrenta o Lanús, no estádio do Morumbi, na capital paulista, pelo jogo de volta da segunda fase da Sul-Americana. Na primeira partida, na Argentina, perdeu por 3 a 2. Por isso, precisa vencer por dois gols de diferença para se classificar ou por um gol, desde que seja por 1 a 0 ou 2 a 1.

Agência Estado

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