Regional

Detento de Paraguaçu Paulista é exemplo de alfabetização no sistema penitenciário

Alunos em sala de aula na Penitenciária de Paraguaçu Paulista (Foto: Arquivo/SEP)

Próximo ao Dia Internacional da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, um detento de 58 anos, interno na Penitenciária de Paraguaçu Paulista, destaca-se entre os quase 20 mil alunos da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Ele permaneceu sem ser alfabetizado até os 53 anos de idade. Hoje, cursa o primeiro ano do Ensino Médio na unidade.

“Minha profissão é pedreiro e pretendo dar continuidade a ela quando cumprir minha pena, agora com conhecimento adequado. Pretendo dar prosseguimento aos estudos e, quem sabe, até cursar uma faculdade”, afirma o detento de Paraguaçu Paulista.

Na comemoração da data, a SAP destaca o trabalho realizado em todas unidades prisionais do Estado de São Paulo em favor da educação dos custodiados. Ao serem ingressados nos estabelecimentos da SAP, parte dos custodiados apresentam defasagem no ensino formal, com vários casos de analfabetismo. Entre os cerca de 195.812 presos, cerca de 1,22% são analfabetos: são 2.386 pessoas.

Nas unidades prisionais existem aproximadamente 18.354 reeducandos matriculados nos diferentes níveis de ensino oferecidos: Fundamental ciclo I e II, Ensino Médio e Superior. Há 2.726 alunos cursando o ciclo I do Ensino Fundamental, entre os quais analfabetos e semialfabetizados.

Outro exemplo, o reeducando ‘José’ (nome fictício), de 46 anos, passou toda a vida sem ser alfabetizado. Ele cumpre pena na Penitenciária “ASP Anísio Aparecido de Oliveira” de Andradina (distante 266 km de Marília), efetivou sua matrícula e atualmente cursa o terceiro ano do Ensino Fundamental (Ciclo I).

“Minha maior motivação foi o interesse em aprender a ler e escrever para não ser enganado e não depender de ninguém para escrever carta para meus familiares”, disse ‘José’.

Para ele, a remição de pena, concedida para o detento que frequenta aulas, também é muito importante. “Quero dar continuidade aos estudos. Acredito que assim, minha vida vai melhorar e me ajudará a arrumar emprego e um pouco de dignidade quando retornar ao convívio na sociedade”, enfatizou.

Os números citados estão de acordo com dados apurados no último mês de julho, compilados pelos Grupos Regionais de Trabalho e Educação (Grates) com informações dos estabelecimentos prisionais das Coordenadorias Regionais de Unidades Prisionais e com dados dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Coordenadoria de Saúde da SAP.

O Dia Internacional da Alfabetização foi definido pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO, em 1966 e comemorado pela primeira vez em 8 de setembro de 1967.

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Marcelo Martin

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