Marília

Denúncias sobre animais de rua e maus-tratos devem ser feitas via 193

Reunião entre representantes da empresa contratada, município e sociedade civil (Foto: Leonardo Moreno)

O recolhimento de animais errantes, vítimas de maus-tratos ou atropelamentos deverá ser solicitado a partir de agora por meio do telefone 193, do Corpo de Bombeiros. Os chamados serão encaminhados à empresa contratada pela Prefeitura de Marília.

O novo procedimento foi passado para Organizações Não Governamentais (ONGs) e protetores independentes em reunião na manhã desta terça-feira (13) no Bosque Municipal.

A ideia é manter o registro dos chamados, possibilitar a fiscalização sobre o cumprimento e padronizar a operação.

A empresa que venceu a licitação é a Gabriela Zangrossi Souza EPP pelo valor anual de R$ 840 mil. Duas outras empresas que fizeram propostas com preços menores terminaram desqualificadas por não apresentarem a documentação exigida no edital.

De acordo com a Prefeitura, por estimativa, em Marília circulam anualmente 5 mil animais errantes de pequeno porte, “onde muitas vezes sofrem maus tratos e atropelamento em vias públicas”.

Também são estimados aproximadamente 50 animais de médio porte e 500 de grande porte.

Procedimento

O gestor da empresa vencedora, Ricardo Almeida Souza, esclareceu que não serão todos os animais errantes, ou seja, que vagam pelas ruas da cidade, que serão recolhidos. “Não haveria espaços para alocá-los”, disse.

O recolhimento seletivo envolverá animais de pequeno, médio e grande porte, doentes, agressivos, promotores de agravos físicos, causadores de danos ao meio ambiente, em sofrimento ou correndo risco de morte, além dos já citados atropelados e vítimas de maus-tratos.

Os animais pequenos que precisarem de tratamento veterinário serão enviados para clínicas conveniadas.

Aqueles atropelados que se recuperarem em até 60 dias, após castração e instalação de chip, serão devolvidos para as ruas.

Vítimas de maus-tratos e aqueles que se recuperarem após o período de dois meses, vão para o Canil da Vigilância Animal, que conta com cerca de 30 vagas. Parte delas está ociosa atualmente. Todos os procedimentos dependerão de laudo do veterinário da empresa.

Ricardo Almeida afirmou que pretende fazer parcerias com ONGs e protetores para que fiquem com a “guarda” dos animais que não couberem na estrutura municipal. Planeja-se realização de feiras periódicas para doação.

Já os animais maiores, como cavalos que sofrem abusos, feridos ou abandonados em via pública, serão encaminhados para duas propriedades rurais de Marília, cujo endereço será mantido em sigilo para evitar o “resgate” pelos antigos donos.

Polêmicas

Diversos boatos sobre a empresa vencedora do certame e dos procedimentos que passarão a ser adotados circularam nas redes sociais de Marília nos últimos dias. Ricardo aproveitou a reunião para esclarecer algumas questões e desmentir outras.

Ele negou que os animais de pequeno porte recolhidos serão enviados para outra cidades e também refutou uma “fake news” cujo conteúdo dizia que haveria a implantação sistemática da eutanásia.

A responsabilidade por dar fim à vida dos animais com doenças como leishmaniose, por exemplo, é Centro de Controle de Zoonoses do município.

Sobre uma ação que envolve suposto descumprimento de contrato por outra empresa da família, na cidade de Salto, Ricardo alegou que não existem provas e a denúncia feita pelo Ministério Público se arrasta desde 2013, mas os serviços continuam sendo prestados.

Mais um imbróglio também se passa na cidade de Sertãozinho, com a outra empresa da família. Ali o problema envolveria a limpeza do espaço utilizado. Ricardo, no entanto, alega que a responsabilidade por limpar todos os prédios públicos são de outra contratada pela administração.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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