Polícia

Defesa renuncia e júri de ex-PM acusado de homicídio em rodeio de Marília pode ser adiado

Moroni Siqueira Rosa atirou na vítima quando ela estava de costas (Foto: Reprodução)

A poucos dias de se sentar no banco dos réus, o ex-policial militar Moroni Siqueira Rosa, de 39 anos, acusado de matar a tiros um jovem durante um rodeio em Marília, ficou sem representação legal. A renúncia da defesa ocorre às vésperas do Tribunal do Júri, agendado para 5 de maio, o que deve forçar a remarcação do julgamento para que uma nova equipe tenha tempo de assumir o caso e se preparar.

Em petição protocolada na 1ª Vara Criminal de Marília em 29 de abril de 2026, o advogado Mauro da Costa Ribas Junior comunicou à Justiça sua saída do processo.

Segundo o documento de notificação entregue ao réu, a renúncia aos poderes outorgados foi motivada por “questões contratuais” e já havia sido comunicada a Moroni em 27 de abril.

O advogado se colocou à disposição para realizar a transição e debater as teses defensivas com a nova equipe que vier a ser constituída pelo ex-PM.

Antes da reviravolta jurídica, a juíza Josiane Patrícia Cabrini, que presidirá o júri, havia confirmado a data de 5 de maio para o julgamento e negado a soltura do réu.

A magistrada justificou a manutenção da prisão preventiva por não haver “mudança fática ou jurídica capaz de justificar a revogação da medida cautelar”. Com isso, Moroni segue custodiado no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.

Ele já havia sido oficialmente demitido da Polícia Militar em setembro do ano passado, após a conclusão do processo administrativo disciplinar.

Ex-policial militar Moroni Siqueira Rosa foi preso em flagrante após homicídio (Foto: Arquivo/Marília Notícia)

Assassinato

O crime ocorreu na madrugada de 31 de agosto de 2024, por volta da 1h45, durante o Marília Rodeio Music, no distrito de Lácio. A vítima – o técnico agrícola Hamilton Olímpio Ribeiro Júnior, de 29 anos – foi assassinada a tiros enquanto assistia ao show da cantora Lauana Prado ao lado de sua companheira. Hamilton estava temporariamente na região, longe da mãe e de seu filho.

Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), Moroni estava de folga do trabalho na corporação, portava a arma funcional (uma pistola Glock calibre .40 pertencente ao Estado) e havia consumido bebida alcoólica no meio da multidão.

A tragédia foi motivada por uma discussão banal. O desentendimento entre o policial e a vítima começou após um simples esbarrão.

A denúncia aponta que, no calor da discussão, o então policial sacou a arma e atirou em Hamilton, atingindo-o inclusive pelas costas. Por ter efetuado disparos em meio a uma grande aglomeração de pessoas, outras duas vítimas foram atingidas sem gravidade.

Moroni foi pronunciado e deve se julgado por homicídio qualificado (por motivo fútil, uso de meio que resultou em perigo comum e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima) e por duas tentativas de homicídio, já que a acusação sustenta que ele assumiu o risco de matar outras pessoas ao atirar no meio do público.

Alcyr Netto

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