Polícia

Da ameaça ao estupro: violência contra a mulher desafia rede de proteção na região

Equipe da Delegacia de Defesa da Mulher de Garça, liderada pela delegada Renata Yumi Ono (Foto: Divulgação)

Levantamento realizado pelo Marília Notícia junto às delegacias de Garça, Tupã, Vera Cruz e Quintana mostra que ameaças, lesões corporais, perseguição, violência psicológica, crimes sexuais e descumprimento de medidas protetivas estão entre as ocorrências registradas nos municípios em 2025 e 2026.

Os dados também mostram a atuação das forças de segurança na investigação dos casos e no encaminhamento de pedidos de medidas protetivas à Justiça. As estatísticas, porém, não permitem afirmar isoladamente que a violência aumentou ou diminuiu. A variação nos registros também pode estar relacionada ao número de denúncias e à procura das vítimas pelos serviços de proteção.

Garça

Em Garça, onde funciona uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), foram registrados 478 boletins de ocorrência e instaurados 296 inquéritos policiais em 2025, segundo a delegada titular, Renata Ono. No mesmo período, 212 pedidos de medidas protetivas de urgência foram encaminhados ao Poder Judiciário.

No primeiro semestre de 2026, a unidade instaurou 171 inquéritos e encaminhou 94 pedidos de proteção. De acordo com a delegada, os atendimentos envolvem principalmente violência doméstica e crimes contra a dignidade sexual, inclusive contra meninas e adolescentes.

Entre as ocorrências estão ameaças, lesões corporais e crimes contra a honra, como injúria, calúnia e difamação, além de investigações relacionadas à violência sexual.

Segundo Renata Ono, Garça não registra feminicídios há dois anos (Foto: Divulgação)

Segundo Renata Ono, Garça não registra feminicídios há dois anos. Na avaliação da delegada, o resultado está relacionado à atuação conjunta da rede de proteção, à concessão de medidas cautelares e às campanhas de conscientização, como o Agosto Lilás.

Apesar disso, ela afirma que o cenário exige atenção permanente. A orientação é para que as mulheres procurem ajuda diante dos primeiros sinais de abuso psicológico, controle ou outras formas de violência.

A DDM também atende mulheres que tenham encerrado e posteriormente retomado relacionamentos. A recomendação é buscar auxílio sempre que houver sinais de violência.

Tupã

Em Tupã, a DDM registrou 325 boletins de ocorrência entre janeiro e julho de 2026, contra 291 no mesmo período de 2025. O número representa alta de 11,7%, segundo dados da unidade, comandada pela delegada Janaina Antoniazzi Garosi.

A ameaça foi a ocorrência mais frequente nos dois períodos: passou de 89 registros, em 2025, para 103 em 2026. Os casos de lesão corporal subiram de 74 para 77.

Nos primeiros sete meses de 2026, também foram registrados 27 casos de perseguição, 26 de descumprimento de medida protetiva, 16 de violência familiar, 15 de injúria, 14 de violência psicológica, 12 de importunação sexual e dez de estupro.

Os registros mostram que a violência contra a mulher não se limita às agressões físicas e também aparece em condutas como perseguição, violência psicológica e descumprimento de determinações judiciais.

Vera Cruz

Em Vera Cruz, que não possui uma Delegacia de Defesa da Mulher, os casos são atendidos pela delegacia geral. Em 2025, a equipe comandada pela delegada Márcia Bicalho Borini registrou 63 boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica e encaminhou 43 pedidos de medidas protetivas à Justiça.

Delegacia de Polícia do município de Vera Cruz (Foto: Michele Rodrigues/Marília Notícia)

Em 2026, até o momento do levantamento, foram registrados 66 casos. Entre as ocorrências estão lesão corporal, ameaça, descumprimento de medida protetiva, injúria, importunação sexual e vias de fato.

No primeiro semestre deste ano, foram encaminhados 21 pedidos de medidas protetivas.

Quintana

Em Quintana, dados consolidados pela Delegacia Geral e informados pela delegada Luciana do Nascimento Zanella apontam redução de 50% nos registros de violência doméstica entre janeiro e julho de 2025 e o mesmo período de 2026.

Nos primeiros sete meses de 2025, foram registrados 14 boletins de ocorrência: quatro por vias de fato, três por estupro de vulnerável, dois por perseguição, dois por ameaça, dois por lesão corporal e um por injúria.

No mesmo período de 2026, o total caiu para sete registros: três de lesão corporal, dois de estupro de vulnerável, um de ameaça e um de injúria. Não houve registros de vias de fato ou perseguição.

Como denunciar

Mulheres vítimas de violência podem procurar as delegacias para registrar a ocorrência e solicitar medidas protetivas, mesmo em municípios que não possuem uma Delegacia de Defesa da Mulher.

Também é possível buscar orientação e denunciar pelo Disque 180. Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

A recomendação das autoridades é procurar ajuda o quanto antes, especialmente diante dos primeiros sinais de ameaça, controle, perseguição, agressão ou outras formas de violência.

Michele Rodrigues

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