Esportes

Crise faz com que marketing esportivo ganhe força no futebol

Sem jogos ao vivo, sem torcedores em seu estádio e nem mesmo perspectiva de retorno aos gramados, os clubes brasileiros precisam se reinventar neste período de isolamento social para não se afundar em dívidas e conseguir criar formas de obter renda. Uma forma que pode salvar ou amenizar as finanças é o investimento no marketing esportivo e a artimanha de saber aproveitar o momento para valorizar sua marca e de seus parceiros comerciais.

A tendência é que os jogos voltem a ser realizados sem presença de público. A bilheteria, uma importante fonte de renda, não existirá. Com isso, a transmissão na TV e o relacionamento virtual com os torcedores serão ainda mais importantes. O Estadão ouviu especialistas em marketing esportivo para explicar como os clubes podem aproveitar esse momento.

A consultoria Two Circles fez um estudo em que prevê que o valor gasto em esportes pelo mundo cairá cerca de 37% nesta temporada, em razão do novo coronavírus. No ano passado, foram gastos US$ 46,1 bilhões (R$ 258,2 bilhões) e esse ano, o valor deve ser algo em torno de US$ 28,9 bilhões (R$ 161,8 bilhões) em todo o mundo. E há quem aposte que a redução será mais grave. O estudo ainda apontou que 53% dos principais eventos esportivos neste ano serão cancelados ou adiados para 2021.

Para tentar recuperar o dinheiro que está deixando o esporte, investir em diversas formas de comunicação é fundamental para os clubes. “Torcedores estão em casa vendo internet, Facebook, Lives e Whatsapp. Esses grupos deveriam ser ativados pelos clubes. Por que não usar os atletas para fazer lives e ativações personalizadas? Construir uma história de envolvimento com seu torcedor? O momento é de construir um novo modelo de patrocínio, que envolva engajamento do torcedor”, disse Fernando Fleury, CEO da Armatore (agência de marketing esportivo) e PhD em marketing.

O desafio dos clubes é deixar de lado, ou diminuir, o marketing físico e investir no virtual. “O mundo está mudando e com essa pandemia, mudará ainda mais. O fã continua atrás do clube, de converter ações para os clubes e o patrocinador continua querendo aparecer”, lembra Gustavo Herbetta, fundador e CCO da Lmid (agência de marketing esportivo) e diretor comercial da Federação Paulista de Futebol. Ele também foi superintendente de marketing do Corinthians entre 2015 e 2017.

Financeiramente, a TV ainda é muito importante para os clubes, em razão dos valores pagos em direitos de transmissão, mas quanto à visibilidade, a tendência é que a internet assuma o protagonismo em breve. “Antes, o digital era um complemento. Hoje, o digital é uma realidade”, resume Herbetta. “Alguns clubes têm investido em ações nas redes. Isso é uma forma interessante de manter sua marca e de seus patrocinadores visíveis”, completou Fleury.

Alguns clubes têm feito ações que chamam atenção pela criatividade. O Bahia vendeu ingressos, de forma simbólica, para o jogo contra o Fluminense, pela semifinal do Brasileiro de 1988 – o jogo iria passar no canal SporTV. O valor do ingresso era R$ 5 e o dinheiro seria destinado para o Programa Dignidade aos Ídolos, que ajuda ex-atletas do clube. O Ceará criou o DNA Vozão, um projeto em que o torcedor responde perguntas, em formato de quiz, e participa de diversas ações que permitem aos fãs participarem de sorteios que dão diversos brindes.

UM NOVO MUNDO – Valores de negociações de jogadores e patrocínios irão cair em razão da pandemia. É a aposta quase que unânime de especialistas em marketing e até de dirigentes. Valores cairão, mas isso pode ser encarado como algo positivo em uma visão mais global.

“As grandes marcas que não frequentam o futebol brasileiro podem chegar, já que aqui estará desvalorizado. O valor de patrocínio no Brasil já é baixo e deve diminuir ainda mais”, aposta Fleury, que apesar do olhar otimista, lembra que a crise mundial pode impactar nos números, mas uma hora, as coisas vão melhorar.

Sem dinheiro no bolso, existe o risco do torcedor diminuir os gastos com seu time de coração. “Sócio-torcedor e ingresso para jogo é algo supérfluo, que não está entre as necessidades do torcedor, então muita gente deve cancelar sócio-torcedor e deixar de ir ao estádio por um tempo e isso deve impactar os clubes, que precisarão se reinventar. O marketing se torna fundamental para amenizar isso”, completou o Fleury.

Herbetta prefere esperar para ver como a economia vai reagir após passar a pandemia. “A sociedade vai mudar e passaremos por várias etapas. O fato é que tudo, a partir de agora, precisará ser pensado no digital. Quando o futebol voltar, será sem público, e a TV e a internet se tornarão fundamentais para a marca ser valorizada. Na medida em que as coisas estiverem voltando ao normal, teremos uma noção mais clara da situação.”

Agência Estado

Recent Posts

Prefeitura abre inscrições para Conselho Antidrogas até 12 de maio

Objetivo é ampliar a participação da comunidade na formulação, no acompanhamento e na avaliação das…

2 horas ago

Festival Comida de Buteco de Marília começa em 1º de maio e reúne 18 bares na 3ª edição

Festival Comida de Buteco será realizado durante todo o mês de maio em Marília (Foto:…

2 horas ago

Prefeitura mapeia fauna e reforça proteção no entorno do Bosque

Ação visa identificar o fluxo de fauna silvestre e adotar medidas de proteção (Foto: Divulgação)…

2 horas ago

Como as apostas e cassinos online fixaram sua presença na economia digital brasileira

Plataformas de apostas e cassinos são atualmente um dos setores que mais evoluiu (Fonte: Pexels)…

13 horas ago

Fim da escala 6×1: estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação

As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, têm mobilizado…

18 horas ago

Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 115 milhões nesta terça-feira

As seis dezenas do concurso 3.001 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 21h (horário…

18 horas ago

This website uses cookies.