Marília

Corregedoria aponta desvio de dinheiro público para jornal e rádios

Sindicância concluída pela Corregedoria Geral do Município de Marília aponta que o ex-prefeito e deputado estadual, Vinicius Camarinha (PSB), quando chefiou a Prefeitura, teria direcionado recursos públicos à Central Marília de Noticias (CMN).

Na edição do Diário Oficial do Município de Marília (Domm) deste sábado (15), a Corregedoria determina série de providências para responsabilização do ex-chefe do Executivo e de outros envolvidos, que podem responder por crimes de improbidade e violação à Lei de Licitações.

A Justiça Federal reconheceu nesta semana que o ex-prefeito Abelardo Camarinha (Podemos) e assessores diretos controlavam, durante a gestão 2013-2016, a extinta CMN, detentora de duas rádios e um jornal, para o suposto uso político.

Portaria publicada hoje encerra investigação interna da Corregedoria, que começou em 2017 – logo após a saída de Vinicius do cargo.

O primeiro ato partiu do gabinete do prefeito Daniel Alonso (PSDB), que solicitou, por meio de memorando interno, relatórios das secretarias da Fazenda e de Planejamento Econômico.

Foram requeridas notas fiscais e de empenho dos pagamentos realizados pelas empresas Única Propaganda LTDA e Sotaque Propaganda (licitadas pelo município na gestão de Vinicius) ao jornal Diário, rádios Dirceu, Diário e 950, nos exercícios 2013 a 2016.

Em julho daquele ano a sindicância foi instaurada, com foco no ex-prefeito e no ex-assessor, o advogado José de Souza Junior, já que ambos faziam parte da administração municipal na época da suposta conduta irregular.

A Comissão Processante acionou a Receita Federal e a Justiça Federal de Marília. Os dois órgãos apuram dívidas, movimentação de recursos e fraudes, que incluem o período em que Vinicius era prefeito. As investigações envolvem a propriedade oculta da extinta CMN.

Foi anexada cópia da denúncia feita pela Procuradoria Geral da República, que detalha o suposto esquema ilícito, além do Termo de Colaboração (delação premiada) firmado com Sandra Mara Norbiato, que teria confessado ter sido “laranja” dos Camarinhas.

A apuração apontou o gasto de R$ 221.535,13 (valores não corrigidos) com a Sotaque Brasil Publicidade e Propaganda e R$ 2.313.562,10 com a Única Propaganda LTDA EPP. As duas empresas eram responsáveis pela contratação de mídias.

A sindicância detectou indícios de gastos diretos com a rádio e jornal Diário, por meio de empenhos e notas fiscais, porém, sem planilha de atualização de valores.

“Ao analisar toda a documentação anexada à presente sindicância, podemos concluir que há fortes indícios de que houve irregularidades nos gastos com publicidade no período de 2013 e 2016. Resta comprovado que houve pagamento efetivo por parte da municipalidade as todas estas empresas”, concluiu o relatório da Comissão Processante.

Por não serem mais servidores do município, Vinicius e o advogado estão livres de processo administrativo disciplinar, que teriam como resultado perda de função pública. Mas o relatório pode gerar outras complicações, incluindo novas ações na Justiça.

A comissão não encontrou provas de que a Sotaque Brasil e e Única Propaganda tenham descumprido a Lei de Licitações. Por isso, não fez indicação de abertura de processo administrativo para possível punição.

PROVIDÊNCIAS

Diante da conclusão, a Corregedora Geral do Município, Valquíria Galo Febrônio, acolheu integralmente o relatório e determinou série de medidas.

O documento será encaminhado ao Ministério Público Federal e Estadual, para apurar eventual crime previsto no Código Penal e na Lei de Licitações.

Ela determina ainda que seja feita a apuração dos valores pagos aos veículos, para tornar “líquido” o que foi gasto com as empresas.

“Após a adoção das demais providências, encaminhamento do presente à Procuradoria Geral do Município, para que, com base nos levantamentos e provas constantes neste procedimento, tome medida judicial cabível”, escreveu.

Na prática, a decisão da Corregedoria abre caminho para que o município possa ajuizar eventual ação, para o ressarcimento ao erário.

Também fornece ao Ministério Público do Estado de São Paulo respaldo – mediante a apuração interna – para eventual abertura de inquéritos.

Em nota ao Marília Notícia a assessoria de imprensa da família Camarinha afirmou que “sobre a decisão da corregedoria do município, é importante lembrar que a mesma é controlada pelo prefeito Daniel Alonso, adversário político da família Camarinha”.

“Sendo assim, uma decisão suspeita, imparcial e totalmente política. Importante destacar, que inexiste qualquer decisão judicial reconhecendo os fatos apontados. Em recente acórdão, a Receita Federal reconheceu que não existem provas da alegada sociedade oculta. Tal documento já foi, inclusive, anexado aos processos que tramitação na Justiça Federal”, finaliza.

Carlos Rodrigues

Recent Posts

Motociclista morre em acidente na SP-294 em Gália

Motociclista atropelado na SP-294 teve a morte confirmada ainda no local do acidente (Foto: Artesp)…

5 horas ago

Quase 400 detentos devem ser beneficiados com saída temporária em Marília

Detentos da Penitenciária de Marília e o Centro de Ressocialização (CR) de Marília foram indicados…

12 horas ago

Armas falsas são apreendidas com menores perto de escola em Vera Cruz

Uma das armas falsas estava na cintura de um dos jovens; a outra em uma…

12 horas ago

Mulher é vítima de agressão com golpes de capacete no bairro Palmital

Uma mulher de 52 anos denunciou ter sido agredida pelo companheiro dentro da própria casa…

12 horas ago

Apae de Marília entrega uniformes a atendidos com apoio de deputados

Deputados Dani Alonso e Capitão Augusto participaram da entrega de uniformes na Apae (Foto: Divulgação)…

13 horas ago

Carros furtados são localizados em ações da PM no Cavallari e Padre Nóbrega

Gol foi um dos veículos localizados após denúncia anônima (Foto: Divulgação/PMSP) A Polícia Militar de…

13 horas ago

This website uses cookies.