O diretor financeiro do Corinthians, Mátias Romano Ávila, informou ao Estado que o dinheiro utilizado para pagar o financiamento vem das bilheterias e, caso não seja suficiente para saldar a dívida em alguns dos meses, há a possibilidade de incluir os valores de shows. Segundo ele, a previsão é de acontecer 20 eventos além do futebol no estádio.
“O que está previsto em nosso orçamento é transferir R$ 75 milhões de bilheteria neste ano para pagamento dessa dívida. É isso que pretendemos cumprir”, comentou o diretor. O dirigente negou que o clube possa usar a eventual venda de jogadores para ajudar a amortizar a dívida com a Caixa, tampouco corre risco de ter suas garantias penhoradas. O banco informou no processo que o clube deve R$ 536 milhões. O Corinthians diz que a dívida é de R$ 470 milhões, porque não inclui multa por atraso. “Em nosso orçamento há a previsão de usar até R$ 6 milhões de outras áreas além da bilheteria da arena. Pretendemos usar até R$ 4 milhões ”
A execução judicial da Caixa não preocupa o Corinthians, de acordo com seu dirigente. O departamento jurídico tem 15 dias úteis para responder à citação do juiz que foi recebida na sexta-feira. Segundo o Estado apurou, o clube responderá à intimação, enquanto renegocia com a diretoria do banco. “Queremos cumprir o acordo feito verbalmente com a gestão anterior da Caixa, que é pagar R$ 6 milhões por oito meses do ano e R$ 2,5 milhões nos outros quatro, quando diminui nossa arrecadação no estádio.”
Se essas contas forem aprovadas pela Caixa, o Corinthians teria despesa anual de R$ 58 milhões com o financiamento da arena em parcelas até 2028. Ou seja, se a partir de 2020 pagar corretamente o que foi proposto, o banco receberá nos próximos oito anos R$ 464 milhões, valor que o clube alega dever. O problema é que o Corinthians tem enfrentado dificuldades para honrar seus boletos.
A DÍVIDA – No planejamento financeiro do Corinthians, ainda consta que a meta para 2019 era fechar no azul em R$ 650 mil. Passados nove meses do ano, o presidente Andrés Sanchez admitiu que o clube tem déficit de R$ 100 milhões. O alto valor deve diminuir porque boa parte da receita com a TV entrará no fim do ano. Mesmo assim, o mandatário alvinegro já sinaliza que será difícil o clube ter lucro nesta temporada.
Soma-se a isso a pendência financeira com a Caixa. Apesar de se mostrar tranquilo com a questão judicial, o Corinthians precisa pagar sua dívida, com o risco de ter o nome no Serasa. A planilha apresentada pela Caixa na ação diz que o Corinthians deixou de pagar, entre março e agosto deste ano, R$ 33,7 milhões em parcelas. Segundo o banco, o clube pagou só R$ 13 milhões.
A multa pelo atraso nos pagamentos é de R$ 48,7 milhões e o valor total da execução é de R$ 536 milhões. O diretor financeiro do Corinthians alega que os valores estão distorcidos, porque o clube vinha pagando o que tinha sido combinado verbalmente desde o fim do ano passado. Ou seja, em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro desembolsou apenas R$ 2,5 milhões por mês.
A Caixa só deu baixa quando a soma dos valores atingiu a parcela prevista em contrato. “Queremos esclarecer o mais rapidamente possível essa pendência, e de forma transparente. Espero que encontremos um acordo neste mês ainda. Quanto mais rápido, mais transparente, melhor para nós e para a Caixa”, diz Ávila.
A Caixa emprestou R$ 400 milhões ao Corinthians para a construção do estádio. Desde o início do financiamento, em 2014, o clube pagou cerca de R$ 170 milhões, sendo R$ 80 milhões de fevereiro de 2018 até agora. Mas como correm juros mensais, a dívida beira os R$ 536 milhões, segundo o banco.
MULTA – O Corinthians entrou com mandado de segurança para tentar suspender multa de R$ 800 mil aplicada pela Justiça referente ao terreno onde foi construído o Itaquerão. O processo movido pela Prefeitura de São Paulo foi revelado pelo Estado em julho. O departamento jurídico considera a ação arbitrária e pede o cancelamento ou que a multa seja reduzida ao porcentual mínimo previsto no Código de Processo Civil: 1% do valor da causa.
A multa foi aplicada em maio após o clube não ter respondido por três vezes à intimação do Ministério Público sobre andamento das contrapartidas sociais. O Corinthians se comprometeu a investir R$ 12 milhões em projetos para ter a concessão do terreno.
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