A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, na última quarta-feira (22), o reajuste tarifário anual da CPFL Paulista, concessionária que atende Marília e outros 233 municípios do Estado de São Paulo. A decisão terá impacto imediato no bolso dos moradores da cidade, com aumento de 9,15% nas contas de energia para consumidores residenciais.
O reajuste vai além das residências e atinge diretamente diferentes perfis de consumo. Em média, o aumento será de 12,13% para todos os clientes da distribuidora. Na baixa tensão — que inclui casas e pequenos comércios — a alta média será de 9,25%. Já na alta tensão, que engloba indústrias e grandes empresas, o reajuste chega a 18,75%.
Segundo a Aneel, os índices só não foram maiores devido à aplicação de um mecanismo de diferimento tarifário, que permitiu adiar parte dos custos para ciclos futuros e reduzir o impacto imediato.
Em Marília, a notícia gerou revolta e preocupação entre moradores, especialmente diante do custo de vida e de críticas à qualidade do serviço. A teleoperadora Maria Nascimento, que mora sozinha, relata gastos mensais entre R$ 130 e R$ 140, mesmo passando a maior parte do dia fora de casa.
“Eu acho absurdo, né? Incompreensível, porque eu tenho percebido que a degradação justamente da prestação deste serviço. Não é só eletricidade, tem um aumento nas outras nas outras faturas de telefone e internet. A gente está tendo aumento em tudo, aumento no combustível. Está ficando difícil. Inclusive eu estou hoje andando a pé, quando eu consigo, faço alguns trajetos a pé para economizar”, desabafou.
O impacto também preocupa quem já convive com contas elevadas. A estudante de Ciência da Computação Isadora Custódio, da Unimar, mora com outras duas pessoas e afirma que a fatura de energia já chega a cerca de R$ 350.
“Particularmente eu já acho que já está caro. Aumentando vai ficar mais difícil para as pessoas. Vai ter muita reclamação quando as contas chegarem nas casas das pessoas. Não acho muito justo esse aumento”, disse.
A estudante Ingrid da Silva, de 23 anos, que cursa Relações Internacionais na Unesp e divide despesas com colegas, afirma que o reajuste agrava a sensação de aperto financeiro.
“A gente vê que a cidade está com vários problemas. Toda hora uma notícia de que vai aumentar alguma coisa. Uma hora é a notícia que vai aumentar a passagem de ônibus. Agora é a CPFL. Está complicado pra gente”, lamentou.
Diante do reajuste, a expectativa em Marília é de aumento nas queixas dos consumidores e maior pressão sobre o orçamento das famílias, que já enfrentam uma sequência de altas em serviços essenciais.
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