Uma confusão em um grupo de oração organizado via WhatsApp por membros de uma igreja localizada no bairro Argollo Ferrão, zona Oeste de Marília, acabou resultando na elaboração de um boletim de ocorrência nesta quarta-feira (3).
O registro, muito inusitado, serviria supostamente como documento para um possível processo judicial.
A autora do registro policial, uma empregada doméstica de 33 anos, diz que faz tratamento psiquiátrico e frequenta a igreja há três anos. Ela teria sido convidada a entrar no grupo do aplicativo pelo pastor.
Na noite de terça-feira (2) essa mulher teria se ofendido com a publicação de um dos integrantes. O motivo da revolta foi a simples foto de uma mesa de ceia farta.
“Tantas pessoas passando fome e toda aquela fartura sendo exposta em rede social”, diz a autora do BO. Diante da ‘contradição’ ela disse ter ficado com o psicológico abalado e acabou postando “inferno, inferno, inferno” no grupo, de onde saiu em seguida, “indignada por aquilo”.
A mulher estaria no meio de uma crise e afirmou, inclusive, que precisou pegar uma ambulância dias antes para ir até um hospital – não especificado qual no BO – “resolver o seu problema” psiquiátrico.
Acalmada, após a confusão, ela teria pedido ao pastor da igreja para ser colocada novamente no grupo do WhatsApp e somente após insistência obteve uma resposta que não a agradou. O pastor teria dito que a mulher “não sabe conversar com as pessoas e somente sabe maltratar”.
A autora do BO disse ter ficado furiosa e passado a xingar o pastor por telefone. Teriam sido necessários dois calmantes para que ela controlasse seu emocional novamente.
Apesar de ter ficado chateada, e da “situação a que foi exposta” a empregada doméstica espera que as pessoas entendam que ela tem problemas psicológicos e emocionais para que “possa levar adiante sua vida pessoal e familiar e também social entre as pessoas da igreja e outras”.
A motivação do registro no plantão da CPJ (Central de Polícia Judiciária) foi para que, segundo ela, “possa tomar medidas caso haja necessidade em tempo determinado pela lei”. Não são detalhadas, porém, que tipo de medidas seriam essas.
O BO, assinado pelo delegado e pelo investigador plantonistas, seguiu ao Distrito Policial responsável pela área. Provavelmente o documento será arquivado.
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