Tentativa de (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)
Marília registrou, em 2024, uma taxa de homicídios quase quatro vezes menor que a média nacional, segundo o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O município contabilizou 6,5 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a média brasileira foi de 23,4 mortes por 100 mil habitantes. O índice nacional é cerca de 72% superior ao registrado na cidade.
Os dados, obtidos a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, colocam Marília em situação favorável quando comparada à realidade nacional e à de municípios de porte semelhante. Embora o estudo não estabeleça um ranking das cidades mais seguras do país, o indicador confirma a baixa incidência de violência letal no município.
Histórico de queda nos homicídios na última década
Para o delegado seccional de Marília, Wilson Carlos Frazão, o resultado é consequência de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos, e não de um desempenho pontual.
“O município de Marília vem apresentando queda nos números há mais de uma década. Os números de 2024 refletem exatamente isso. Mantemos números baixos, sendo considerado um dos municípios mais seguros do Estado e do País desde 2017, pelo menos”, afirma.
Segundo Frazão, um dos diferenciais da Polícia Civil é a centralização das investigações de homicídios na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que concentra recursos humanos e estrutura especializada para a apuração dos crimes contra a vida.
“A Polícia Civil centraliza suas investigações de crimes contra a vida, como o homicídio, na DIG. Distribuímos nossos recursos humanos e materiais com ênfase para as delegacias especializadas. A DIG possui taxa de esclarecimento de 100% dos casos nos últimos anos. Além disso, nossa resposta para as investigações dos casos ocorridos é extremamente rápida, com o acompanhamento da DIG desde o local do crime. O resultado é uma investigação rápida e eficaz, evitando que um crime se transforme em outros por vingança, por exemplo”, explica.
Integração entre as forças de segurança
O Atlas da Violência destaca que a atuação integrada das instituições é um dos fatores que contribuem para a redução dos homicídios. Na região de Marília, de acordo com o delegado, a troca de informações entre Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e Poder Judiciário ocorre de forma permanente.
“Nosso contato com a Polícia Militar e o Ministério Público é franco, aberto, de troca de informações e dados, rotineiramente”, diz. Segundo ele, esse alinhamento também se reflete na atuação do Judiciário. “As representações por prisões e buscas têm sido acolhidas com muita confiança pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.”
Prevenção para evitar crimes mais graves
A tendência, segundo a Seccional, é de manutenção da trajetória de queda. Frazão afirma que os dados consolidados de 2025 apontam índices ainda menores de homicídios e que os indicadores parciais de 2026 seguem na mesma direção.
O delegado ressalta que a estratégia da Polícia Civil também passa pela atuação preventiva em ocorrências que podem evoluir para crimes mais graves.
“Temos um foco em trabalho rápido e eficiente, por exemplo, na Delegacia de Defesa da Mulher, o que evita que um crime menor se transforme em feminicídio.”
Frazão acrescenta que o combate à circulação irregular de armas também permanece como prioridade para preservar os baixos índices de homicídios.
“Tudo sem deixar de dar atenção às denúncias de porte e posse de arma de fogo. O desarmamento é imprescindível para a manutenção de números baixos”, conclui.
Desafio agora são os estelionatos digitais
Apesar do bom desempenho na redução da violência letal, a Polícia Civil mantém atenção voltada aos chamados crimes do cotidiano. Segundo Frazão, furtos e roubos também vêm apresentando queda em Marília, acompanhando a tendência observada nos homicídios.
Por outro lado, os estelionatos praticados por meios eletrônicos passaram a ser a principal preocupação da instituição.
“Nosso maior gargalo, no momento, são os crimes digitais, os estelionatos, particularmente. As investigações desses casos sempre são mais complexas. Os agentes não estão em Marília. Telefones e contas, principalmente em bancos digitais, estão em nome de laranjas”, afirma.
Para enfrentar esse cenário, a Polícia Civil prepara uma nova frente de atuação especializada na Central de Polícia Judiciária (CPJ).
“Estamos criando uma frente de trabalho nisso, na CPJ, especializando policiais”, informa o delegado.
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