Marília

Com 400 mil bovinos, região é afetada com embargo chinês

Marília conta com mais de 100 mil cabeças de gado (Foto: Divulgação)

Marília foi fortemente afetada com o embargo declarado pela China, que deixou de comprar a carne bovina brasileira. Com rebanho de 400 mil bovinos na regional, os agropecuaristas esperam o retorno das exportações e um segundo semestre melhor para o setor. O preço da arroba do boi gordo caiu 17,9% em um ano, mas deve se recuperar.

O embargo aconteceu após o registro de um caso do mal da vaca louca no Pará. O médico veterinário do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Marília, Ricardo Scioli Dal Colletto, explica que a região foi afetada pelo embargo, mas que já foi confirmado que se tratou de um caso atípico.

“Quando um grande país importador de nossa carne suspende a compra, o preço da arroba cai, não só Marília, mas em todo o Brasil. Já houve a confirmação que o problema no Pará foi por uma degeneração por idade e não pela doença, que foi descartada. A China deve voltar a comprar a carne brasileira”, afirma Dal Colletto.

De acordo com dados de novembro do ano passado do EDA, a região conta com rebanho de 400.367 bovinos e 3.491 bubalinos. O Escritório de Defesa Agropecuária de Marília também conta com as cidades de Álvaro de Carvalho, Alvinlândia, Fernão, Gália, Garça, Lupércio, Ocauçu, Oriente, Oscar Bressane, Pompeia, Quintana e Vera Cruz. Apenas em Marília são 114.972 bovinos e 1.577 bubalinos.

O agropecuarista Fernando Vilela conta atualmente com cerca de 900 cabeças de gado. Ele espera que as exportações sejam retomadas em pouco tempo.

“Houve retenção nas compras dos frigoríficos, mas já está começando a liberar. Foi provado que se tratou de um caso atípico. Temos uma safra muito grande, muito boi gordo e como a oferta é grande, o preço caiu. Na hora que reduzir a quantidade do rebanho, começar o inverno e diminuir a pastagem, o preço tende a subir”, conta Vilela.

O agropecuarista afirma que, em um ano, o preço caiu 17,9%, de R$ 335 por arroba para R$ 275. Vilela conta que o Brasil está tentando diversificar as exportações, para não depender tanto de um comprador.

“Atualmente, a China é a maior compradora de carne bovina do Brasil. Desde o ano passado, o país está tentando diversificar as exportações, para não depender tanto de um único país. Sabemos que os Estados Unidos, a Austrália e a Argentina, que são grandes exportadores, estão com problemas e preço bem alto. A tendência para o segundo semestre é que o preço também aumente aqui no Brasil”, conclui o agropecuarista.

Alcyr Netto

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