Esportes

COI mantém proibição a protestos durante Jogos Olímpicos

Atitudes como a dos atletas americanos Tommie Smith e John Carlos, medalhistas na Olimpíada do México, em 1968, quando baixaram as cabeças e levantaram os braços com os punhos fechados no pódio, durante a execução do hino dos Estados Unidos, não serão toleradas nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, adiados por um ano por causa da pandemia do novo coronavírus. Ficar de joelhos como fazem os jogadores de futebol americano ao se manifestar contra as mortes de pessoas negras pela polícia também está vetado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). O órgão manteve a proibição a protestos de atletas dentro de estádios, cerimônias e pódios.

Vale dizer que, em 1968, Smith, Carlos e até o outro medalhista, o australiano Peter Norman, que estaria usando um broche do Projeto Olímpico pelos Direitos Humanos, foram punidos. Embora a Regra 50 proíba os atletas de protestar nos Jogos, não há muita clareza sobre o que conta como “protesto”. As novas diretrizes especificam exemplos, incluindo a exibição de mensagens políticas em placas ou braçadeiras, ajoelhar-se, interromper cerimônias de medalhas ou fazer gestos políticos com as mãos. Após consultar os atletas, o órgão concluiu que a famosa regra deve ser mantida.

Inspirados pelo movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam), em protesto contra a injustiça racial, aumentaram os pedidos nos últimos meses para uma mudança nessa regra que permitiria aos atletas protestar. Alguns chefes de federações internacionais, incluindo o presidente da World Athletics, o britânico Sebastian Coe, disseram que os atletas deveriam ter o direito de fazer gestos de protesto político durante os Jogos. A jogadora de futebol Megan Rapinoe, da seleção americana, escreveu em um story no Instagram: “Muito sendo feito sobre os protestos. Tão pouco sendo feito sobre o que estamos protestando Nós não seremos silenciados”.

A chefe da Comissão de Atletas do COI, Kirsty Coventry, que liderou uma revisão da regra, disse que a maioria dos atletas consultados era contra qualquer protesto dentro dos campos de jogo ou dos pódios. “Eu não gostaria que algo me distraísse da competição e me afastasse disso. É assim que ainda me sinto hoje”, disse Coventry, ex-campeã olímpica de natação pelo Zimbábue, em uma apresentação online dos resultados da consulta da Regra 50.

Coventry disse que havia uma série de recomendações aprovadas pelo Conselho Executivo do COI na última quarta-feira, incluindo esclarecimento sobre as sanções, mais informações sobre a Regra 50, uma mudança na redação do Juramento Olímpico com mensagens sobre inclusão e produção de roupas para atletas com mensagens inclusivas. No entanto, quando questionada se os atletas seriam punidos em Tóquio por fazer declarações políticas, como ajoelhar-se no pódio em apoio à igualdade racial, Coventry disse: “Sim, está correto”.

As recomendações do COI são resultado de um processo de consulta iniciado em junho de 2020 e que envolveu mais de 3.500 atletas. Coventry disse que cerca de 70% desses atletas não querem protestos em pódios, cerimônias e campos de jogo.

Pelo relatório, 48% dos atletas entrevistados acham importante que sejam criadas ” oportunidades para a expressão dos atletas durante os jogos”. Entre eles, sugere que haja um momento na cerimônia de abertura dos jogos para a “solidariedade contra a discriminação”. Os atletas poderiam usar roupas e mensagens com as palavras paz, respeito, solidariedade, inclusão e igualdade. Na própria pesquisa foi aprovado que os esportistas usassem “mensagens em faixas, tatuagens, roupas e brasões que promovam os valores olímpicos”.

Agência Estado

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