A combinação de chuvas intensas e altas temperaturas neste início de ano tem causado prejuízos severos aos produtores de hortifrúti na região de Marília.
De acordo com dados meteorológicos, nos primeiros 15 dias de janeiro, a cidade já registrou 98,2 milímetros de chuva, com os termômetros atingindo a marca dos 30 °C em diversos dias. Esse cenário de “sol e chuva” cria um ambiente crítico para o cultivo de folhosas e outros vegetais.
Em Garça, a produtora Leonice Vitorete Viana, que trabalha ao lado do esposo, Antônio Batista Viana, relata que a situação está “muito complicada”. Segundo ela, a força da água entope as plantas e a erosão carrega o adubo aplicado na terra. O problema se agrava quando o sol forte surge logo após os temporais.
“As folhas, especialmente as de alface, acabam ‘cozinhando’ por dentro, por causa do calor excessivo sobre a umidade. Além disso, o excesso de umidade tem provocado o aumento de pragas, como lesmas e caracóis. Estamos perdendo pelo menos 30% do que plantamos”, contou Leonice.
A situação é ainda mais alarmante em Vera Cruz. O produtor Cláudio Scaramanha da Silveira relatou que as perdas em sua produção chegam a, no mínimo, 50% de tudo o que é plantado. Ele destacou que as chuvas torrenciais dos últimos dias abriram valetas de grandes proporções em sua propriedade, exigindo o uso de caminhões e retroescavadeiras para os reparos.
“Em apenas um dos buracos causados pela erosão foram necessários 60 metros de terra para o aterro. Você aduba, a chuva lava e abre a erosão. Metade do que plantamos estamos perdendo. A primeira chuva deu 180 milímetros aqui em Vera Cruz. Depois, em outro dia, choveu 200 milímetros. Eu nunca tinha visto, na minha vida, o que aconteceu aqui. Foi assustador”, relatou o produtor.
Com a combinação desses fatores, a disponibilidade de produtos no mercado ficou mais ajustada neste início de janeiro, o que resultou em leve reação nas cotações das folhosas em relação a dezembro.
Para a segunda quinzena do mês, a previsão é de volumes pluviométricos ainda maiores, o que é típico da estação, mas que, aliados ao calor, causam impactos significativos na qualidade dos produtos e no manejo das lavouras.
“Infelizmente, a gente não consegue absorver toda essa perda e precisa repassar uma parte para o cliente. O que plantamos nesta segunda-feira, mais de 10 mil mudas, perdemos tudo. Daqui a 40 dias, a falta vai ser muito maior do que hoje, sem dúvida nenhuma”, concluiu Cláudio.
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