Polícia

Tragédia com ‘cenário de guerra’ testa profissionais em Marília

Destroços do ônibus espalhados pela rodovia evidenciam violência do acidente (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

O trabalho de socorro às vítimas do acidente fatal com um ônibus na rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Marília, na madrugada desta segunda-feira (16), exigiu agilidade e resistência das equipes que atuaram no local. O desastre deixou 51 vítimas; seis mortes foram confirmadas até o momento.

Procedimentos de emergência no cenário do acidente, transporte de feridos leves e a ativação do protocolo regional, com instituições de saúde operando em rede, estiveram entre as ações adotadas. O Marília Notícia acompanha o caso desde as primeiras horas da manhã e ouviu relatos que impressionam.

Cirurgia no local

Entre os profissionais mobilizados estava o médico João Tiveron, de plantão como legista, acionado para apoiar a ocorrência a pedido da Polícia Civil. Ele também integra a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em outro turno.

Durante o atendimento, ao identificar um homem em estado gravíssimo e sem tempo hábil para remoção até uma unidade hospitalar, o médico realizou um procedimento de urgência ainda no local.

“Ele pediu um bisturi e iniciou uma cirurgia de pneumotórax ali mesmo. Não havia tempo”, relatou ao Marília Notícia um dos profissionais que atuou na ocorrência e testemunhou o resgate.

Segundo o relato, o médico fez a incisão para aliviar a compressão torácica e evitar a morte por asfixia iminente. O paciente foi encaminhado em estado grave para uma ambulância, mas voltou a respirar após o procedimento e seguiu para atendimento hospitalar especializado.

Esforço redobrado

O delegado da Polícia Civil Luiz Vieira Machado, que também esteve no local, afirmou que a prioridade da instituição é a coleta de informações para garantir a identificação de todas as vítimas e a apuração das causas do acidente.

Em meio ao cenário de sofrimento, o delegado destacou o empenho das equipes.

“Foi uma ocorrência que exigiu muito das nossas equipes e de todos que trabalharam lá. E o trabalho ainda irá seguir, até que todos estejam identificados e as famílias tenham respostas”, disse.

A ocorrência provocou alto fluxo de pacientes graves nas unidades de saúde de Marília e mobilizou profissionais da segurança pública e da área da saúde que estavam de folga.

A força-tarefa deve continuar nos próximos dias, com atuação também do Serviço Social dos hospitais, do Instituto Médico Legal (IML), de peritos e de órgãos reguladores do transporte, responsáveis pela fiscalização de empresas que operam fretamento em rodovias.

Texto atualizado às 11h49

Carlos Rodrigues

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