O pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes, retomou as críticas ao governo Michel Temer por causa da crise dos combustíveis, mas disse não acreditar que haja terreno para uma mobilização capaz de pôr fim prematuro ao mandato do emedebista.
“Só se ele renunciar. Não tem outra saída”, afirmou o ex-ministro, ao ser provocado por jornalistas. Segundo ele, Temer nunca teve condições de governar, mas o Congresso perdeu a oportunidade de afastá-lo quando enterrou duas denúncias de corrupção contra ele. De acordo com o ex-ministro, o País deve agora “apostar todas as fichas na eleição”.
Ciro considerou legítima a manutenção das paralisações pelo País, mesmo após o governo ter feito concessões para obter um acordo com os caminhoneiros. “A greve é até mais legítima depois do acordo do que antes”, emendou. “Agora trata-se de uma greve de gente trabalhadora, sofrida, de verdade. Não de um locaute de empresários aproveitadores.”
Ciro só subiu o tom contra o governo ao fim da palestra que fez em evento das Eurocâmaras e do Club Transatlântico, na capital paulista. Ele afirmou que o governo cedeu a pressões populistas na formação da política de preços da Petrobras e, assim, deu origem ao cenário que se vê hoje no País. “Tudo isso estava dado que iria acontecer”, afirmou.
Ciro traçou ainda um diagnóstico para a greve anunciada pelos petroleiros. “Amanhã começa a greve dos petroleiros. Ela terá enorme adesão”, avisou. “Só se resolve isso de uma maneira: com a demissão do Pedro Parente”, acrescentou. Questionado mais tarde sobre a possibilidade de uma privatização da Petrobras, Ciro engatou: “Nem pensar. Na prática, as consequências da privatização são isso aí”.
Pacto federativo
Ainda na palestra, Ciro afirmou que o novo presidente da República terá de se empenhar para firmar um novo pacto federativo, com o intuito de solucionar a crise fiscal brasileira. “O Brasil tem uma tragédia tão extensa, que surge um lado bom: o pacto federativo dilacerado”, disse.
Ciro defendeu também uma articulação conjunta entre base e oposição, após a eleição. Disse que ele próprio “ajudou” governos anteriores. “Fui candidato e ajudei o Itamar Franco a governar contra o PT. Ajudei o Lula a governar contra o PSDB”, afirmou.
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