Lembrado nesta terça-feira (3), o Dia Mundial da Bicicleta chama atenção para os benefícios do uso do veículo como meio de transporte, lazer e prática esportiva. Em Marília, porém, a data também evidencia os desafios enfrentados pelos ciclistas que utilizam ruas e estradas da cidade para treinar e competir.
Entre eles está Kleber Souza do Nascimento, de 44 anos, que retomou a prática do ciclismo recentemente após incentivo dos colegas de trabalho. Funcionário de uma oficina de motos, ele voltou a se dedicar a uma paixão da juventude que o levou a disputar competições de alto nível.
“O pessoal começou a pedalar aqui na oficina e eu, como já tive experiência com bike, voltei a pedalar junto com eles também”, contou.
A trajetória de Kleber no esporte é marcada por conquistas importantes. Nas categorias de base, ele conquistou quatro títulos do Campeonato Brasileiro e participou de competições internacionais, incluindo o Campeonato Pan-Americano. Atualmente, mesmo conciliando os treinos com a rotina profissional, voltou a competir em sua categoria.
Ao avaliar a estrutura disponível para os atletas em Marília, Kleber afirma que a cidade ainda carece de espaços adequados para treinamentos. Segundo ele, a maior parte dos ciclistas precisa recorrer a estradas vicinais e rurais da região para praticar a modalidade com mais segurança e rendimento.
“A gente pedala muito em vicinais e estradas rurais. Não tem um local propriamente dito para treinos”, afirmou.
A percepção é compartilhada por outros praticantes da modalidade, especialmente aqueles que treinam com foco em competições. Embora Marília conte com ciclofaixas voltadas à mobilidade urbana e ao lazer, os atletas consideram que a estrutura atual não atende às necessidades do ciclismo de alto desempenho.
Foi o caso de Yuri Saltorato, de 34 anos, que começou a pedalar em julho de 2024 com o objetivo de combater o sobrepeso. Na época, com quase 90 quilos, ele encontrou no ciclismo — inicialmente praticado como um hobby entre amigos — uma oportunidade de mudar hábitos e melhorar a saúde. O resultado foi a perda de 20 quilos e o ganho de condicionamento físico.
“A bicicleta permite um lazer, conhecer pessoas e dá um condicionamento físico”, destacou. A evolução levou Yuri a disputar competições regionais, como a Copa Peixe e a tradicional Piramba de Garça.
Apesar das dificuldades, os ciclistas veem com expectativa a construção de uma nova ciclovia na estrada de Avencas. A esperança é de que o espaço se torne uma alternativa mais segura para treinamentos e incentive ainda mais a prática esportiva na cidade.
“Estão construindo agora uma ciclovia que possivelmente vai ser para treinos. Porque, no Centro da cidade, a gente tem uma ciclofaixa, mas a ciclofaixa não é para treinos de bike, é para os ciclistas passearem”, explicou Kleber.
A data também reforça a discussão sobre a necessidade de ampliar a infraestrutura destinada aos ciclistas. Se, por um lado, o mountain bike (MTB) encontra condições favoráveis nos distritos e áreas rurais de Marília — com percursos em regiões como Dirceu, Amadeu Amaral, Oriente, Pompeia e Rosália, segundo Yuri —, o ciclismo de estrada (speed) ainda enfrenta obstáculos relacionados à segurança.
“O speed é um pouquinho mais arriscado. Como a gente vai em rodovias, não temos um espaço assim, uma ciclofaixa de ponta a ponta na cidade. Tem alguns motoristas que acabam não respeitando”, relatou Yuri.
Para reduzir os riscos, ele afirma adotar medidas preventivas, como o uso de sinalização adequada e roupas com elementos refletivos.
Tradição no ciclismo
Marília possui tradição no ciclismo e já revelou atletas de destaque nacional e internacional. Um dos principais nomes é Renato Martins Seabra, que iniciou a carreira no mountain bike aos 16 anos, conquistou quatro títulos brasileiros da modalidade e representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000.
Posteriormente, destacou-se também no ciclismo de estrada, vencendo a tradicional Prova Ciclística 9 de Julho, em 2006, além de alcançar resultados expressivos em competições pan-americanas.
A trajetória de atletas como Renato e Kleber demonstra o potencial esportivo de Marília. Para os ciclistas, no entanto, o fortalecimento da modalidade depende da ampliação da infraestrutura voltada aos treinamentos, permitindo que a cidade continue formando talentos e ofereça mais segurança para quem escolhe a bicicleta como esporte e estilo de vida.
Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2018, o Dia Mundial da Bicicleta tem como objetivo incentivar políticas públicas voltadas à mobilidade ativa, à sustentabilidade e à segurança dos ciclistas.
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