A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Fernanda Guardado, destacou nesta terça-feira, 21, que ciclo de aperto monetário já implementado pela autoridade monetária é o maior e mais rápido da história, mas ponderou que ainda não houve tempo para que seus efeitos sejam sentidos na inflação.
A avaliação de Guardado repete comentário do BC hoje na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho de que o ciclo já empreendido foi “intenso e tempestivo”, mas que os maiores impactos devem ser sentidos a partir do segundo semestre. Desde o início da alta de juros, a Selic já subiu 11,25 pontos porcentuais, para 13,25% ao ano, e o BC já indicou novo aumento na reunião de agosto, de 0,50pp ou menor.
“A pressão inflacionária no Brasil aconteceu desde fim de 2020 e tem se mostrado mais persistente que esperado”, disse, citando processo de reabertura da economia, demanda mais duradoura de bens, além de choques em energia. “Atuação assertiva do BC é necessária para inflação entrar em trajetória de desaceleração e vá para meta.”
Na ata, o BC sinalizou hoje que a estratégia para convergência da inflação de 4,00%, projeção atual para 2023, para o redor da meta (3,25%) é elevar a Selic para além de 13,25% e manter a taxa elevada por um período mais prolongado que no cenário de referência, que assume taxa de 10% no fim do ano que vem e 7,50% no término de 2024.
A diretora do BC participou do painel ‘Promovendo uma recuperação econômica resiliente, inclusiva e sustentável’ dentro do evento ‘Semana Brasil – OCDE’, organizado pelo governo federal e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
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