Brasil e Mundo

CFM defende proibição de enfermeiros atuarem em abortos legais

Em nota aos “médicos e à população”, neste domingo (19), o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, concordou com votos de ministros do Supremo Tribunal Federal contra a liminar de Luís Roberto Barroso que autorizaria enfermeiros a atuarem em procedimentos de abortos legais.

No Brasil, a realização de abortos está previsto em lei nos casos de estupro, risco à saúde da gestante e de fetos anencéfalos. No sábado, o STF formou maioria para derrubar decisão do ex-presidente do STF, que se aposentou nesta semana. 

A primeira divergência ao voto de Barroso foi do ministro Gilmar Mendes. O voto dele foi acompanhado por Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

“Médicos o suficiente”

Na nota, o presidente do CFM acrescentou que espera que no julgamento do mérito, os ministros mantenham a posição. Ele argumenta que existem médicos em quantidade suficiente para atender às “políticas públicas de saúde determinadas pelo Estado”.

José Gallo entende que as decisões do Judiciário devem levar em conta o que está previsto no “ato médico”, que é a Lei 12.842, de 2013.

“Isso ocorre por serem os médicos preparados para o diagnóstico e prognóstico de doenças, bem como para atuar de modo intempestivo na ocorrência de evento adverso”.

O presidente do CFM defendeu que a autorização de profissionais de “outras categorias” a atuarem em procedimentos desse tipo pode provocar “situações imprevisíveis, com desfechos indesejados, por conta da ampliação dos riscos (…)”.

Liminar de Barroso

Na liminar expedida por Barroso, na sexta, o ministro defendeu que profissionais de enfermagem não deveriam ser punidos em caso de atuação nos procedimentos para o aborto legal. 

“Não era possível ao legislador da década de 1940 antever que a tecnologia evoluiria a ponto de a interrupção da gravidez poder ser realizada de maneira segura por profissionais que não são médicos”, ponderou o ministro. Para ele, o “anacronismo da legislação penal” não deveria impedir os “direitos fundamentais consagrados pela Constituição”.

O ministro, na sexta, também determinou a suspensão de processos penais e administrativos abertos contra enfermeiros e a proibição da criação de obstáculos para realização do aborto legal. A decisão do ministro passou a valer, mas precisava ser referendada pelo plenário da Corte.

A reportagem da Agência Brasil não conseguiu contato com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) para comentar a liminar e votos de ministros do STF.

Agência Brasil

Recent Posts

MP faz nova denúncia por importunação sexual contra psiquiatra em Marília

Rafael Pascon, de 43 anos, está preso em Gália (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia) A Justiça…

15 horas ago

Cesta básica cai em todas as capitais do país no 2º semestre de 2025

O preço da cesta básica de alimentos caiu em todas as 27 capitais brasileiras no…

16 horas ago

Polícia Federal realiza operação para combater tráfico de cocaína do PCC

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Expurgo para combater…

16 horas ago

Decreto atualiza auxílio-saúde de servidores da Amae e do Ipremm em Marília

Vinicius Camarinha oficializa reajuste do auxílio-saúde em autarquias municipais (Foto: Divulgação) O prefeito de Marília,…

17 horas ago

Confusão entre vizinhos envolve agressão a cão, mordida em criança e ameaça

A Polícia Civil de Marília apura uma confusão entre vizinhos registrada no bairro Parque das…

18 horas ago

‘Transferi R$ 800 mil para pagar dívida de R$ 75 mil’, afirma acusado

Incêndio foi provocado para apagar vestígios do crime (Foto: NC Pompeia) O empresário Marcelo Alves…

18 horas ago

This website uses cookies.