Esportes

CBF admite problemas na arbitragem com ‘erros inaceitáveis’

A CBF admitiu nesta terça-feira diante de 15 dirigentes de clubes da Série A e 13 da B o que cartolas, torcedores e as imagens de TV já vinham afirmando e demonstrando há um bom tempo: que a arbitragem brasileira tem errado com frequência, às vezes até mesmo de forma “inaceitável”, para usar um termo utilizado pelo próprio presidente da Comissão de Arbitragem, Wilson Seneme. O mea culpa aconteceu durante encontro realizado na sede da entidade, na zona oeste do Rio.

Seneme costuma escolher bem as palavras na hora de apontar para os erros de arbitragem – ele prefere um termo menos impactante, “equívoco” -, mas mesmo assim reconheceu mais uma vez que a arbitragem brasileira está longe do ideal.

“Os equívocos que ocorreram até agora, no primeiro turno, alguns são de interpretação – que os árbitros, sendo afastados ou não, em alguns momentos podem ocorrer, porque fazem parte do jogo. Agora, outros, realmente, são inaceitáveis e têm que servir como um divisor de águas pra gente”, afirmou. “Eu, como presidente da Comissão de Arbitragem, assumo isso.”

A fala foi dita ao lado do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, que minutos antes fora ainda mais incisivo ao apontar os problemas no apito brasileiro. “Eu assisto futebol, acompanhando tudo em todos os detalhes. Não são só vocês (dirigentes de clubes) que cobram da Comissão de Arbitragem, que cobram o Seneme. Eu também cobro. Existem situações em que eu digo ‘E o VAR, Seneme? Interferiu ali quando não podia’. Ele responde, às vezes dizendo as questões, às vezes ele próprio até indignado.”

Diante do dirigentes dos clubes, os dois prometeram uma resposta imediata. Seneme apresentou um cronograma que inclui uma intertemporada com 95 árbitros na próxima semana, no Rio, além de treinamentos mensais no Centro de Arbitragem da CBF a partir de agosto.

O chefe da arbitragem também informou que foram criados 840 perfis em plataforma de vídeo e estatísticas para que os árbitros assistam aos lances dos jogos em que atuam e possam fazer análises e receber orientações de instrutores. Além disso, está sendo criado um quadro com 128 árbitros VAR-CBF.

REAÇÃO

O encontro com os dirigentes foi a portas fechadas – a imprensa só pôde acompanhar o discurso inicial de Ednaldo, além da primeira fala de Seneme que foi disponibilizada em vídeo. Quem esteve presente diz que a conversa foi “cordial”, apesar das diversas cobranças.

Presidente do Palmeiras, Leila Pereira se disse otimista com o que viu, mas fez uma série de ressalvas. “Teve uma apresentação muito bonita de Powerpoint, mas quando eu administro o Palmeiras, quando eu tenho que pagar as contas, não é com Powerpoint, é com atitudes”, sustentou.

“Nós não podemos banalizar o erro. Não pode errar. Eu sou a presidente do Palmeiras e a presidente de diversas empresas, e eu trabalho para não errar. O erro tem que ser a exceção, e pelo o que eu vejo as pessoas tratam o erro com banalidade. O árbitro não pode errar, e se errar tem que ser punido.”

Rodolfo Landim, do Flamengo, se demonstrou um pouco mais satisfeito. “O que eu vi é um processo que tem planejamento, tem ações já estabelecidas para serem implementadas, que tem um cronograma para avaliar o resultado dessas ações, e também eventualmente uma correção de rumo”, declarou. “É óbvio que este não vai ser um processo imediato; isso é uma mudança cultural, demora tempo para ser feito, mas eu acho que a gente tem que dar um voto de confiança.”

Agência Estado

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