Marília

União entre pessoas do mesmo sexo cresce em Marília

Júnior e Hilton se casaram em 2018 (Foto: Hygor Haritov)

Dados divulgados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) apontam que 2021 foi o segundo ano com maior número de casamentos homoafetivos – entre pessoas do mesmo sexo – em Marília.

Compilado feito pelo Marília Notícia indica que, nos 12 meses do ano passado, o município registrou 22 uniões entre pessoas do mesmo sexo – aumento de 22,2% em relação ao ano anterior. Em 2020 foram 18 uniões do tipo; em 2019, houve 19. O ano de 2018 soma 26, o recorde até agora.

Desde o ano recordista, o enfermeiro José Augusto Teato Júnior e o oficial administrativo Hilton Aparecido Santos fazem parte da porcentagem de casais que se casaram em Marília.

Júnior e Hilton no dia do casamento (Foto: Hygor Haritov)

O casal formalizou a união em março de 2018, depois de quatro anos de relacionamento. Em entrevista ao Marília Notícia, Júnior conta que foram dois anos de planejamento para organizar o tão sonhado dia.

Os dois se casaram no cartório em um dia e no outro a cerimônia com a presença de um padre, na chácara onde ocorreu a festa.

“Fomos pensando juntos em cada detalhe que queríamos e deu muito certo. Teve o casamento no civil e festa no dia seguinte. A gente esperava que todos se divertissem e celebrassem com a gente o nosso amor. Queríamos também servir de incentivo a outros casais para fazerem o mesmo, sem se importar com o que os outros poderiam pensar ou falar”, explica.

Para eles, o aumento no número dos casamentos homoafetivos significa o exercício do direito.

“Estamos exercendo nossos direitos civis, religiosos e conjugal assim como todo mundo. O que a sociedade pensa ou deixa de pensar é um problema dela. Sempre haverá julgamentos, basta a nós avaliarmos se é construtivo ou destrutivo, e seguir a vida”, reflete.

Mayara e Franciele se casam em outubro deste ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), somente neste ano, a cidade já registrou dois casamentos homoafetivos.

A tendência é que o número aumente até o final de dezembro. A operadora de telemarketing Franciele Fernandes Rocha e a operadora de perecíveis Mayara Santos Sacone já estão com a união agendada para outubro.

As duas começaram a namorar em junho de 2020 e planejam a cerimônia no cartório e a festa em uma chácara, na companhia de familiares e amigos.

“Esperamos que seja um dia mágico e que represente o amor que sentimos uma pela outra. Esse é um sonho que compartilhamos e sabemos quando chega a pessoa certa para que o sonho se realize. Nos amamos e queremos oficializar este sentimento”, afirma Franciele.

Para a operadora de telemarketing, o aumento das uniões homoafetivas na cidade indica que a comunidade LGBTQIA+ tem mostrado seu lugar na sociedade.

“Acredito que estamos criando coragem de assumir o amor que sentimos. Apesar de existir tanto preconceito, nós temos nossos direitos assim como qualquer cidadão. Amor é amor, independente”, frisa.

Lais e Victoria já pensam em se casar (Foto: Hygor Haritov)

A publicitária Lais da Silva Cambauva e a psicóloga Victoria Zimmerman Arruda já estão juntas há dois anos e oito meses. As duas planejam entrar para a lista dos casados em três anos.

Lais conta que ela e a companheira falam do assunto com frequência. Os planos é para que ocorra o registro no cartório e também haja uma cerimônia simbólica, com uma festa mais intimista apenas para familiares e amigos próximos.

As duas acharam incrível que os números mostrem uma ampliação nas uniões homoafetivas.

“É uma conquista muito importante para que possamos ter visibilidade e reconhecimento. Merecemos celebrar o amor como qualquer outra pessoa e é muito significativo ver os números aumentando cada vez mais”, celebram.

Lais e Victoria planejam casamento para acontecer daqui três anos (Foto: Hygor Haritov)

DADOS

Levantamento do Seade mostra que em 2021 a faixa etária que mais concentrou cônjuges do sexo feminino é entre os 30 e 34 anos.

Ao todo, 13 mulheres entre estas idades se casaram com pessoas do mesmo sexo. As mulheres mais jovens neste tipo de união tinham no mínimo 20 anos e no máximo 44 anos.

Já em relação aos homens, no ano passado, as faixas dos 25 aos 29 anos, dos 35 aos 39 e dos 40 aos 44 são as de maior prevalência com dois casamentos cada. Os mais novos tinham menos de 20 anos e os mais velhos até 49 anos.

As informações do Seade são atualizadas mensalmente e produzidas com base nos registros dos eventos nos cartórios do Estado de São Paulo.

Daniela Casale

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