A rotina dos moradores da rua Evaristo da Veiga, no bairro Palmital (zona norte), tem sido marcada pelo medo. O motivo é um imóvel que, após o falecimento dos antigos proprietários, transformou-se em um cenário de abandono, acúmulo de lixo e invasão por dependentes químicos. A situação crítica, que se arrasta há cerca de dois anos, reflete um problema crescente de imóveis abandonados.
O imóvel, que já foi residência de um casal de idosos ficou vago após a morte dos donos. Sem manutenção, o local foi tomado por usuários de drogas, que utilizam o espaço para consumo de entorpecentes, banho de mangueira e sanitário a céu aberto.
A estrutura, escondida por uma grande árvore, bloqueando a iluminação pública, tornou-se um ponto de escuridão e perigo, especialmente para mulheres e estudantes que transitam pela região à noite.
O frentista Ronaldo Lopes, vizinho do imóvel, relatou o drama vivido por quem mora ao lado. Segundo ele, a convivência com o mau cheiro e o risco iminente é diária.
“Apenas no último mês, o Corpo de Bombeiros foi acionado três vezes para conter chamas iniciadas pelos invasores no lixo acumulado. O medo é que esse incêndio se alastre para casas vizinhas. Existem imóveis de madeira ao lado que poderiam ser rapidamente consumidas pelo fogo. É uma sensação de insegurança total e a gente não tem mais o que fazer, não tem mais esperança”, lamentou.
Nesta sexta-feira (6), após quase dois anos de reclamações, a Prefeitura de Marília realizou uma ação no local. Foi feita limpeza do entorno da casa e poda na árvore, garantindo uma melhor iluminação para a vizinhança.
Riscos com a dengue
Em diversos bairros, imóveis abandonados acumulam água parada em calhas entupidas, caixas d’água destampadas, lajes, piscinas desativadas e entulho. Esses locais criam condições ideais para a reprodução do mosquito Aedes aegypti, que encontra ali abrigo e facilidade para se multiplicar longe do alcance da vigilância cotidiana dos moradores.
Um único imóvel em condições de abandono pode se transformar em um foco de disseminação da doença para toda a vizinhança. Mesmo que a maioria das famílias cuide de seus quintais, basta um ponto negligenciado para comprometer o trabalho coletivo de prevenção.
Enquanto o problema dos imóveis abandonados não é resolvido de forma estrutural, com reaproveitamento, venda ou demolição, o risco sanitário permanece. Combater a dengue vai além de campanhas sazonais, pois exige políticas urbanas eficazes, fiscalização contínua e participação ativa da comunidade para evitar que espaços esquecidos se transformem em ameaças à saúde coletiva.
Imóveis abandonados
Dados divulgados pela Prefeitura de Marília apontam que foram registradas 147 reclamações sobre imóveis abandonados em 2024, número que subiu para 149 em 2025.
O abandono de imóveis não se resume à casas em bairros de periferia. Grandes imóveis de propriedade do Governo de São Paulo, que já tiveram grande utilidade no passado, também se encontram em situação parecida.
Um deles, atualmente sem utilidade, é o imóvel da antiga cadeia de Marília, onde também funcionou a Circunscrição Regional de trânsito (Ciretran), a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e o 3o Distrito Policial (3o DP), na avenida Gonçalves Dias, no centro da cidade. Local foi totalmente abandonado após inauguração da Central de Polícia Judiciária (CPJ).
Outro imóvel é o do antigo Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefam), no Jardim Marília (zona oeste), próximo a rodovia do Contorno. O local formou professores entre 1990 e 2002, quando encerrou suas atividades.
O Marília Notícia entrou em contato com o Governo do Estado de São Paulo, questionando sobre os imóveis abandonados na cidade, mas até o momento não obteve retorno. Se houver alguma resposta, o texto será atualizado.
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