Regional

Cão salva tutor, mas morre com ataque de sucuri em Lins

Açude onde Rodrigo foi atacado pela cobra (Foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo Malzoni de Souza, de 32 anos, é médico veterinário e proprietário de uma fazenda em Lins (distante 73 quilômetros de Marília), onde mora desde 2019. No último dia 22 de dezembro, ele passou um grande susto e tristeza, ao ver o próprio cachorro ser morto por uma cobra, quando tentava salvá-lo de um ataque.

Ao Marília Notícia,  Rodrigo conta que, no dia do ocorrido, por volta das 18h, foi passear com seis cachorros da raça fila, dois adultos e quatro filhotes, e outros dois sem raça definida.

“Como tem essa quantidade grande de cachorro, preciso proporcionar alguma distração para eles. São bravos e acabam ficando ao redor da sede, meio isolados. Os filhotes estavam fazendo nove meses no dia 22. E por cinco meses, eu costumava ir com eles no final da tarde andar pela fazenda e terminava o percurso no açude, para que pudessem brincar e nadar”, conta o veterinário.

Rodrigo falou que só depois de tudo que aconteceu percebeu que, naquele dia, os cachorros apresentaram alguns comportamentos diferentes.

“Geralmente, quando a gente chega perto do açude, que fica há uns 15 minutos da sede, eles [cachorros] sempre vão na frente e saem correndo. Neste dia, eles [animais] não foram e ficaram do meu lado. Na hora eu não me liguei. Estava no telefone conversando com a minha caseira”, relata ao MN.

“Quando coloquei o pé no açude, vi um negócio pulando. Na hora achei que fosse um dos cachorros brincando. Mas me desequilibrei e cai, então vi que era uma cobra. Ela começou a enrolar na minha perna direita. Consegui tirar minha bota de borracha e nesse meio tempo um dos filhotes, o Nino, se jogou em cima dela. Foi aí que a cobra deu o bote fatal nele. Ela começou a estrangular o Nino. Os outros cachorros ficaram bem assustados”, lembra.

Rodrigo contou que o celular caiu em meio à confusão. A caseira, que estava falando com ele, ouviu todo o desespero do veterinário e foi para lá.

“Mas neste meio tempo, a cobra já tinha matado o Nino. Eu tentei tirar, mas ela começou a enrolar na minha mão, no meu braço, aí eu parei, a cobra era muito forte. Eu desisti bem chateado, chorando”, lamenta.

“Os funcionários foram chegando. Eu saí do local, eles [trabalhadores] tentaram pegar a cobra, mas ela saiu de lá e acabou largando o Nino, que já estava morto. Eles [funcionários] acabaram deduzindo que ela tinha de cinco a seis metros, porque ela chegou a ficar toda exposta”, afirma.

Nino acabou morto pela cobra (Foto: Arquivo Pessoal)

Nino foi enterrado na fazenda. Rodrigo e os outros cachorros ficaram traumatizados com o ocorrido.

“A gente escuta falar bastante sobre casos com cobras, mas eu nunca tinha visto. Foi um susto. Eu não lembrava direito o que tinha acontecido. Fui lembrar entre sexta e sábado, que estava mais calmo. Os cachorros também ficaram meio traumatizados, agora que estão voltando ao normal”.

O veterinário improvisou uma caixa d’água para os cachorros poderem brincar na sede da fazenda, e não precisar mais levá-los até o açude.

“Foi um susto muito grande. A gente evita agora que as vacas fiquem no açude também. Fazíamos trilha pela propriedade, às vezes, com amigos e parentes. Agora vamos ter que parar”, diz.

“Eu postei no meu Facebook e Instagram o que aconteceu como uma maneira de alertar o pessoal. Muita gente não tem familiaridade com as coisas do campo, quer entrar na água e não sabe o perigo. Eu estou bem, foi mais o susto. Um susto muito grande. Eu fiquei bem desesperado na hora”, destaca.

A cobra que atacou Rodrigo era uma sucuri, que não faz parte do grupo de peçonhentas. Ou seja, não possui dentes inoculadores de veneno, mas pode abocanhar a presa na tentativa de se defender.

Carnívoras, as sucuris se alimentam de roedores, aves, peixes, rãs e lagartos, e dificilmente atacam seres humanos por não serem as presas habituais. A estratégia de caça de uma sucuri é a constrição, ou seja, o animal se enrola na vítima e exerce tamanha pressão que a asfixia.

Daniela Casale

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