Variedades

BBB proíbe livros, mas permissão poderia resolver a crise literária no país

“Mil novecentos e não sei o quê”: Vanessa Lopes nem precisou acertar o nome do livro, “1984”, escrito por George Orwell, para que as buscas pela obra disparassem na internet após ser citada pela influenciadora no BBB 24 (Globo).

O mesmo aconteceu com “Sociedade do Espetáculo”, citado por Wanessa Camargo no programa. No dia 10 de janeiro, o livro de Guy Debord atingiu um pico de pesquisa num período de 10 anos, segundo o Google Trends.

Tem um livro, ‘A Sociedade do Espetáculo’. Lê esse livro para você entender toda a parte política por trás disso, tem um interesse genuíno de gente que tá no comando de não enriquecer a cultura de um povo, e sim de emburrecer. Wanessa.

Não é a primeira vez que o reality tem influência no mercado editorial. O livro “Deixe os homens aos seus pés”, da autora americana Marie Forleo, chegou a esgotar nas livrarias brasileiras em 2011. Tudo porque a obra foi citada durante uma conversa entre Bial e Maria Melilo. Na época, a editora solicitou mais 30 mil exemplares, às pressas. A informação foi publicada pelo jornal Extra.

Em edições anteriores, era comum que os confinados passassem um pouco do tempo lendo. Diego Alemão (BBB 7), levou “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, para o programa. Já Marcelo Dourado (BBB 10), escolheu a biografia de Tim Maia, escrita por Nelson Motta. Ana Paula Renault (BBB 16), levou “Como água para elefantes”, de Sara Gruen.

Ana Clara Oliveira, que se tornou apresentadora da emissora, possivelmente bateu um recorde: ela leu 7 livros durante o BBB 18. Entre eles, “Sonata em Auschwitz”, de Luize Valente, “Morte Súbita”, de J.K Rowling e “Querido John”, de Nicholas Sparks.

PROIBIÇÃO

Nas últimas edições, no entanto, nenhum participante pôde levar qualquer livro para o programa. O UOL entrou em contato com a Globo, questionando o motivo, mas não teve resposta até o momento.

Ao que tudo indica, a produção do programa decidiu barrar a leitura na casa depois do BBB 19. No meio da temporada, todos os livros dos participantes foram recolhidos (o que realmente combina com “1984” e ainda acrescenta um gostinho de outra distopia, “Fahreheint 541”, de Ray Bradbury).

Carol Peixinho, participante da edição, opinou sobre os livros serem confiscados: “É só para a gente ficar mais sem assunto e começar a causar”.

Depois, em entrevista a Leo Dias, a ex-BBB Gabi Martins (BBB 20) disse que livros não eram permitidos na casa.

BBB PODERIA RESOLVER A CRISE LITERÁRIA

Para Fabrício Carpinejar, os livros deveriam voltar a ser permitidos no programa. Ele usa a própria Ana Clara como exemplo. “[Ela] prova o quanto os livros são benéficos, porque, pelo desempenho dela, pela performance, pelas ideias, por tudo do que ela se alimentou nos sete, oito livros que ela leu durante o confinamento, que a Globo a contratou”, diz o escritor em entrevista ao UOL.

O fato dos participantes se isolarem para ler não seria um problema. “Você também fica isolado na academia, fazendo aparelhos, ou fica isolado numa rede, no jardim… Todo mundo precisa de seus momentos de solidão, num reality que fica filmando 24 horas do seu dia.”

A cada começo de ano, o programa tem pautado as discussões dos brasileiros. Para Carpinejar, se os livros fossem permitidos na casa, tais discussões poderiam ser mais embasadas. “Existe toda essa discussão em torno do racismo. Como seria fundamental livros da Conceição Evaristo ou ‘Defeito de Cor’? (de Ana Maria Gonçalves). São livros de referência. Ajudaria muito a desarmar preconceitos e ciladas estruturais”.

Ele exemplifica ao ressaltar que o programa já permite a exibição de filmes e a apresentação de artistas. “Olha o bem que o Big Brother faz para o cinema, com as sessões pipoca, apresentando lançamentos, filmes nacionais que acabaram de entrar em cartaz, ou estão na pré-estreia. Olha o bem que faz para a música, trazendo artistas nem sempre tão consagrados, mas que estão fazendo sucesso. Se o Big Brother Brasil abre espaço para o cinema e para a música, por que não oferecer também destaque para a literatura?”, questiona.

O escritor dá a ideia: a de que cada participante pudesse levar o seu livro predileto. “Já seria uma extrema colaboração para a difusão da literatura. 26 participantes, 26 livros. Um indicado por cada participante. E esse livro diria algo daquela personalidade. Iria aquecer o mercado editorial num mês morto, que é janeiro […] Seria perfeito. As editoras agradecem”.

No pior cenário, seríamos agraciados com novos memes, como quando Jéssica, do BBB 18, leu um livro de cabeça para baixo.

***

POR ANE CRISTINA

Folhapress

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