Marília

Barreira do etarismo atinge marilienses com mais de 50 anos

Envelhecimento da população e, consequentemente dos profissionais, gera problemas diante do etarismo praticado por empresas (Foto: Samantha Ciuffa/Marília Notícia)

O mercado de trabalho, nos últimos anos, têm se mostrado resistente à contratação de profissionais com mais de 50 anos. Uma pesquisa realizada em 2022 pelas instituições Ernst & Young e Maturi constatou que 78% das empresas possuem barreiras para admitir pessoas nessa faixa de idade em seus quadros funcionais.

Em Marília, até maio de 2023, já foram 1.076 demissões de pessoas entre 50 e 64 anos, contra 1.060 admissões, ou seja, um saldo negativo de 26 cargos.

Para aqueles que têm mais de 65 anos, a situação é ainda pior, coma variação negativa de 45 postos. Os desligamentos se mantêm em maior número no comparativo às contratações em empregos formais na cidade há alguns anos.

A cidade finalizou 2022 com totais negativos de 139 e 104 para os dois públicos citados, respectivamente. Em 2021, os números também ficaram desfavoráveis em 127 e 132, consecutivamente.

O problema atingiu patamares críticos em 2020, quando a variação negativa para pessoas com mais de 50 anos atingiu 624. Nesse período, houve 2.302 desocupações de profissionais com esse perfil em contraposição a apenas 1.678 contratações formais.

Os setores que mais contrataram a mão de obra em questão foram serviços, vendas em comércio, como lojas e mercados, seguido de produção em indústrias.

O panorama diverge dos dados gerais apresentados pela cidade, que mostram números positivos na criação de cargos nos cincos primeiros meses de 2023. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

ALTERNATIVA

Diante do etarismo por parte das empresas, que levou à dificuldade de recolocação no mercado de trabalho para muitos marilieses, a saída foi buscar por alternativas.

Alexandre Rafael Salem, de 55 anos, trabalhou com vendas até meados de 2019. Devido às dificuldades relacionadas ao ofício, o vendedor resolveu dar uma chance aos aplicativos de transporte, a princípio, como renda complementar.

“Com o tempo, percebi que valia mais a pena ficar só com o aplicativo e hoje minha ocupação é como motorista. Atualmente é meu faturamento principal”, declara.

O proprietário da empresa VipCar, que atua em Marília e outras 40 cidades, Thiago Zani, analisa o cenário e garante que 64% dos profissionais que trabalham com ele possuem mais de 40 anos.

“O principal objetivo do transporte de aplicativo sempre foi ser uma renda extra, mas nos últimos anos acabou se tornando a principal forma de arrecadação dos profissionais dessa faixa de idade”, pondera Zani.

De acordo com o empresário, nos últimos anos, a situação foi intensificada com a entrada de trabalhadores mais velhos, inclusive mulheres com mais de 50 anos.

“Na plataforma geral, que abrange todos os municípios, 78% dos motoristas já passaram dos 40 anos”, conta Thiago. “Eu até prefiro, porque são mais educados, focados e sabem lidar melhor com o público”, finaliza.

Samantha Ciuffa

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