Marília e região

Avanço da dengue já impacta estoques do Hemocentro de Marília

Operação Cata-Treco é realizada pela cidade (Foto: Divulgação)

Marília enfrenta uma epidemia de dengue em 2025, com 1.667 casos confirmados, segundo dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies). O aumento expressivo da doença tem reflexos diretos no sistema de saúde, incluindo o Hemocentro de Marília, que enfrenta dificuldades para manter os estoques de sangue em níveis seguros.

Entre os casos confirmados, 78 apresentaram sinais de alarme, com sintomas como vômitos persistentes, dor abdominal intensa, sangramentos e queda de pressão, o que pode levar à hospitalização. A cidade também tem 3.241 casos em investigação e 1.555 descartados. Até o momento, cinco evoluíram para quadros graves, resultando em duas mortes — uma taxa de letalidade de 40% entre os casos mais sérios. No quadro geral, a letalidade da doença na cidade é de 0,12%.

Com uma incidência de 698,7 casos por 100 mil habitantes, Marília ultrapassa o limite de 300 casos por 100 mil habitantes estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificação de epidemias. Esse avanço acelerado da dengue tem impacto direto na demanda por transfusões de sangue, especialmente de plaquetas, o que pressiona ainda mais o Hemocentro da cidade.

O início do ano já é tradicionalmente um período de queda nas doações, agravando o cenário. Segundo o Hemocentro, a combinação entre a baixa de doadores e o aumento da necessidade de sangue coloca em risco até mesmo o agendamento de cirurgias nos hospitais da região. Referência para mais de 60 municípios, a unidade alerta que, sem um reforço urgente nas doações, a situação pode se tornar insustentável.

Arte: Hemocentro

Atualmente, apenas o sangue AB+ está em condição relativamente estável, com 21 bolsas disponíveis, próximo ao ideal de 24. O tipo B+ também se mantém dentro de um patamar aceitável, com 46 bolsas de um total ideal de 84.

Os tipos O+ e A+ estão em alerta, com estoques muito abaixo do necessário: 103 e 99 bolsas, respectivamente, quando o ideal seria 240. Já os tipos O-, A-, AB- e B- enfrentam um quadro crítico. O tipo O- tem apenas 11 bolsas das 48 necessárias; o tipo A-, cinco de um total ideal de 48; o AB- conta com apenas uma bolsa, enquanto o recomendável é seis. O caso mais grave é o sangue B-, que simplesmente zerou o estoque, quando o mínimo esperado é de seis bolsas.

Doar sangue é essencial para garantir o funcionamento adequado dos serviços de saúde e salvar vidas. Além disso, as autoridades reforçam a necessidade de prevenção contra a dengue, com a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. O engajamento coletivo é fundamental para enfrentar essa crise.

Paralelamente, a administração municipal vem promovendo mutirões de limpeza e combate ao Aedes aegypti. A nebulização móvel tem sido realizada em bairros da zona sul, Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) foram implantadas na cidade e a operação Cata-Treco tem recolhido material inservível.

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Alcyr Netto

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