Marília

Atendimentos de suicídio e tentativa aumentam 280% no HC Marília

O Hospital das Clínicas (HC) de Marília registrou uma aumento de 280% nos atendimentos de casos de suicídios e tentativa de suicídio no primeiro semestre de 2018 em comparação com o mesmo período do ano passado.

São 23 entre janeiro e junho deste ano, ante seis nos mesmos meses de 2017. O “boom” no número de casos atendidos aconteceu também na segunda metade de 2017, quando foram 22 vítimas.

Os dados fazem parte do histórico de atendimentos na ala de urgência e emergência  do hospital envolvendo “lesões autoprovocadas intencionalmente”. O levantamento foi feito a pedido da reportagem do Marília Notícia.

O site já mostrou que dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostram a elevada taxa de suicídio de Marília, uma das altas do Estado de São Paulo.

O índice de mortalidade é superior a 7,5 óbitos por 100 mil habitantes, segundo pesquisa realizada entre 2013 e 2014 que já apresentava a delicada situação do município.

Psicóloga

De acordo com a psicóloga Maristela Colombo, o suicídio vem sendo apresentado como um grave problema de saúde pública e figura entre as dez principais causas de morte na população mundial de todas as faixas etárias.

“Esse fenômeno é multicausal, envolvendo fatores ambientais, psicológicos, culturais, biológicos e políticos, tudo englobado na existência do indivíduo. Não existe idade, gênero, cor, classe, etnia ou raça que pode ser vista como uma exceção para cometer esse suicídio”, comenta a especialista.

“Nos últimos cinco anos, a incidência entre jovens de 12 a 25 anos teve um salto de quase 40%. É importante assinalar que o suicídio se apresenta como consequência final de um leque maior de situações que põem em risco a vida. É consenso que o suicida não quer se matar, mas sim acabar com a dor que está sentindo”, explica.

Questionado pelo MN sobre sintomas ou características apresentadas, a especialista esclarece o que deve ser priorizado no atendimento e acompanhamento dos casos.

De acordo com ela, “tristeza, isolamento e irritabilidade podem ser sinais de que há um sofrimento psíquico e talvez a pessoa necessite de ajuda”.

“O suicídio tem a ver com situações depressivas, estressantes, e traumas que levam a perda do sentido da vida”, completa.

A depressão também é apontada como o principal transtorno sofrido pelos suicidas, “mas isso não significa que todo depressivo é um suicida em potencial, nem que todo suicida sofria de depressão”.

E psicóloga diz que em uma conversa sobre o suicídio é necessário salientar que “viver pode ser muito difícil, às vezes, mas mesmo assim a vida vale a pena”.

Segundo Maristela, o impacto na família pela perda é tão profundo que os profissionais encarregados de prestar apoio psicológico chamam essas vítimas de “sobreviventes enlutados”.

“É um trauma muito difícil de superar.  Inicialmente a família se culpa por não ter percebido os sinais antes do ato consumado. Mas é importante salientar que o ato suicida é uma decisão muito pessoal e que não é fácil identificar transtornos e sinais, até mesmo com ajuda profissional. O luto é uma vivência esperada pela perda de alguém querido e pode se tornar mais sofrido quando a morte acontece por suicídio”, finaliza.

Viver vale a pena

Vale lembrar que o  Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias.

O contato pode ser feito pelo telefone 141 ou pelos outros canais disponíveis no site, que pode ser acessado [aqui].

Brunno Alexandre

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