Marília recebe neste domingo (18) a Caminhada às Cegas, iniciativa organizada pela Associação dos Deficientes Visuais de Marília (Adevimari), com o objetivo de sensibilizar a população sobre a inclusão social e valorizar o potencial das pessoas com deficiência visual. O evento tem início às 9h, com saída da APCD e percurso até a praça da Emdurb.
A ação estava inicialmente programada para o dia 13 de dezembro, mas precisou ser adiada em razão do período chuvoso. Agora, a expectativa da organização é reunir voluntários, familiares, apoiadores e a comunidade em geral para uma experiência de empatia e reflexão.
De acordo com a vice-presidente da Adevimari, Andreia Oliveira, a Caminhada às Cegas vai além de um ato simbólico. O principal objetivo é desmistificar a imagem da pessoa com deficiência visual na sociedade e combater preconceitos ainda presentes no cotidiano.
“A pessoa com deficiência visual pode trabalhar, estudar, casar, ter filhos e ocupar qualquer espaço. A limitação é sensorial, não intelectual nem social”, afirma.
Toda a população de Marília está convidada a participar da Caminhada às Cegas. A proposta é que, por algumas horas, os participantes caminhem juntos para sentir, refletir e promover a inclusão, contribuindo para a construção de uma cidade mais justa e acessível.
Sob o lema “lugar de cego é onde ele quiser”, a Adevimari reforça que, quando há acesso a políticas públicas, respeito aos direitos e oportunidades reais, a pessoa com deficiência visual pode exercer plenamente sua cidadania e contribuir ativamente para a sociedade.
Entre os temas centrais do evento está a importância do sistema Braille, apontado por Andreia como uma ferramenta essencial de autonomia. “O Braille permite que o deficiente visual ‘enxergue com as pontas dos dedos’. É uma tecnologia fundamental para a educação, a informação e a independência”, explica.
A caminhada também faz um apelo ao poder público e ao setor empresarial, incentivando a ampliação de oportunidades de emprego e inclusão profissional. A mensagem é que pessoas com deficiência visual têm potencial produtivo e podem agregar valor às empresas, desde que tenham acessibilidade e condições adequadas.
Histórias de superação também dão significado à mobilização, como a de Duda Boiadeira, deficiente visual conhecida pela voz marcante e pelo sonho de seguir carreira na música. Sua trajetória simboliza a quebra de padrões e reforça que o talento não é limitado pela deficiência. “O foco precisa estar na capacidade de produção e integração do indivíduo”, conclui Andreia.
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