Marília

Associação para maconha medicinal terá mãe de paciente como presidente

Cláudia Marin, vice-presidente, faz a selfie do grupo (Foto: Divulgação)

Uma das mães que simbolizam a luta pelo acesso à cannabis (maconha) medicinal, a enfermeira Nayara de Fátima Mazini Ferrari, de 36 anos, tomou posse como a primeira presidente da Associação Cannábica em Defesa da Vida, criada oficialmente na noite desta sexta-feira (7).

Evento aconteceu no auditório da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e reuniu dezenas de pacientes e familiares.

Associação é a primeira do Oeste paulista e a terceira do Estado de São Paulo (Foto: Divulgação)

Além de mães, a associação é formada também por profissionais da área da saúde, como a farmacêutica Caroline Marroni, doutora em Toxicologia pela Universidade de São Paulo (USP).

A entidade conta ainda com a terapeuta cannábica Fernanda Peixoto, brasileira com formação internacional na área Agroflorestal pela Trees for the Future.

Em 2002, quando morava nos Estados Unidos, ela aprendeu a técnica de extração do óleo integral (com THC e DCB) e utilizou o composto no tratamento do filho.

Ativismo

Nayara e a filha Letícia (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Nayara, presidente da nova associação, é mãe da menina Letícia, que sofre de Epilepsia de Difícil Controle. A doença causava convulsões em série na criança. O acesso ao canabidiol sintético foi resultado de muita persistência e batalha judicial, conforme mostrou o Marília Notícia.

Em 2019, Nayara e outra mãe que também virou símbolo da luta na cidade – Cláudia Marin, mãe do Matheus, 12 anos – conseguiram o direito de importar as sementes, cultivar e extrair o óleo medicinal integral (com THC e DCB) para que os filhos tenham mais qualidade de vida.

“Minha filha é outra criança depois da cannabis medicinal. Antes ela estava sempre internada, eu não podia nem trabalhar”, conta Nayara. Com a redução das convulsões, a irritabilidade da menina também diminuiu muito, diz a mãe.

Cláudia, vice-presidente, afirma que o objetivo principal da associação é difundir informação e empoderar os pacientes e familiares, para conquistar acesso à medicação. “Muita gente não sabe dessa possibilidade terapêutica ou tem preconceito, por desconhecimento”, afirma.

Matheus e família iniciam uma nova fase: produção caseira do óleo da cannabis (Foto: Arquivo pessoal)

Atualmente, em Marília três casos de produção e extração para fins terapêuticos estão protegidos por decisão judicial (Habeas Corpus). São dois processos judiciais: um favorável a Matheus e Letícia, o outro movido por um idoso com mal de Parkinson.

Em todo o país, cerca de 50 pessoas têm amparo da Justiça para a terapia cannábica. Diferente do que informou o MN, com informações colhidas junto às mães, a cidade será sede da terceira associação do gênero no Estado. As outras duas ficam na Capital e em Franca.

Carlos Rodrigues

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