Marília

Arrecadação da Prefeitura de Marília cai e pode provocar rombo

Gráfico mostra as linhas com a previsão e a arredação efetiva; efeito pandemia (Imagem: Prefeitura de Marília)

A queda na arrecadação própria e nos repasses federais e estaduais à Prefeitura de Marília, foi de até 5% no acumulado entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período o ano passado. Os dados são do Portal da Transparência, divulgados pelo próprio município, que apontam queda de até 25% em apenas um dos meses.

A frustração orçamentária, diretamente relacionada à crise causada pelo novo coronavírus, contraria a previsão no início do ano, que apontava aumento médio 8,78% na arrecadação e repasses em 2020 sobre o ano passado.

Considerando períodos e tributos específicos, como por exemplo o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) no mês de abril, por exemplo, o tombo foi muito maior: a diferença passou de 25%, entre os resultados de 2019 e 2020.

A preocupação da Secretaria Municipal da Fazenda e da área de planejamento econômico da Prefeitura, porém, se estende aos próximos meses, com perda de receitas próprias e também de transferências em função do lento processo de recuperação que sequer começou.

Na prática, ninguém sabe exatamente onde fica o fundo do poço. “Esse era um ano de recuperação. Temos também o aumento de todos os custos. Se levarmos em conta a inflação, essas perdas são muito maiores”, disse ao Marília Notícia o secretário da Fazenda Levi Gomes.

Receitas próprias

No acumulado entre janeiro e maio, o IPTU rendeu aos cofres públicos de Marília este ano R$ 44,2 milhões. O valor é 4% menor que os R$ 46,1 milhões no mesmo período de 2019.

O mês de abril foi o pior, com arrecadação de pouco mais de R$ 2,8 milhões. No mesmo período do ano passado, a Prefeitura arrecadou R$ 3,8 milhões.

Influenciado pelo período anterior à pandemia, o Imposto Sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI) foi o único que teve aumento esse ano e rendeu R$ 6,1 milhões à Prefeitura, um aumento de 3%. De janeiro a abril do ano passado, foram arrecadados R$ 5,9 milhões.

O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISQN), que reflete o nível de atividade e formalidade da economia, teve retração de 2,05%, após ter rendido R$ 28,1 milhões em 2019 (janeiro a maio) e R$ 27,5 milhões este ano.

Repasses

A maior queda foi no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é transferido pelo Governo Federal. A retração foi de 4,86%, com R$ 31,4 milhões em 2019 e R$ 29,9 milhões este ano, nos cinco primeiros meses.

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), repassado pelo Estado, caiu de R$ 58,2 milhões no ano passado para R$ 56,1 milhões este ano, até maio.

Já o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) regrediu 3,92%, de R$ 37,7 milhões nos cinco primeiros meses do ano passado para R$ 36,3 milhões este ano.

Análise

Para o pesquisador e professor do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Marília, Marcos Cordeiro Pires, o saldo acumulado foi balanceado pelo bom desempenho nos meses de janeiro, fevereiro e parcialmente, em março.

Já abril e maio podem ser considerados verdadeiros “desastres fiscais”, uma vez que o nível de despesas não cai proporcionalmente. “Se o orçamento é de R$ 800 milhões, uma queda de 5% representa um buraco de R$ 40 milhões de reais. Como financiar isso se Prefeitura não tem Casa da Moeda e não tem espaço para se endividar?”, questiona.

Ele lembra ainda que a retração na indústria foi de 18%, um sinalizador alarmante para médio e longo prazo. A queda de dois dígitos mostra freada brusca no consumo, com risco da crise ecoar por muito tempo nas receitas públicas, que dependem também do comércio e do serviço relacionado a estes bens.

“Até que a população seja imunizada, a atividade econômica ficará comprometida. Veja a retomada da China: está se dando por etapas. Setores importantes como o aéreo, lazer, hotéis, que respondem por muitos empregos, não podem funcionar a pleno vapor até que as pessoas estejam imunes”, afirma.

Alguns setores podem ser mais impactados, já que a recessão gera um clima de desalento e medo. “As pessoas se fixam na sobrevivência. Um exemplo: na recessão de 1930, nos EUA, os setores de bens de consumo popular tiveram queda de 20%, mas a indústria de bens duráveis, como carros, geladeiras, rádios teve queda de 80%”, alerta Pires.

O pesquisador aponta ainda que, após a retomada, a economia terá “outras bases”, já que a política de distanciamento está criando diferentes hábitos de consumo.

Carlos Rodrigues

Recent Posts

Marília disputa Copa Brasil Ouro de Tênis de Mesa com 14 atletas em São José

Competição integra o calendário nacional da modalidade (Foto: Divulgação) A equipe de tênis de mesa…

19 minutos ago

Tese de doutorado da Unimar sobre violência contra a mulher ganha destaque no Vaticano

Estudo analisa políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher (Foto: Divulgação) Uma tese…

19 minutos ago

Unimar abre seleção para mestrado profissional em Administração em 2026

O Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Marília (PPGA Unimar) está com inscrições…

19 minutos ago

Reforma do Cemitério da Saudade tem previsão de entrega até outubro

Reforma será realizada por meio de uma parceria com o Grupo Prever (Foto: Alexandre de…

19 minutos ago

Mulher tenta socorrer filhote atropelado, mas é atacada por cães na região

Uma funcionária pública municipal, de 55 anos, sofreu ferimentos graves após ser atacada por dois…

19 minutos ago

Homem é condenado por tentativa de homicídio após discussão em bar da zona sul

O Tribunal do Júri de Marília condenou a oito anos de prisão um homem por…

19 minutos ago

This website uses cookies.