Senhor Severino e sua biblioteca comunitária (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)
Mesmo tendo frequentado a escola por pouquíssimo tempo, quando ainda morava no Nordeste, o aposentado Severino, de 74 anos, é responsável pela construção e administração de uma biblioteca comunitária na praça multiuso do Jardim Cavallari, zona Oeste de Marília.
Depois de muita insistência, ele topou dar uma entrevista ao Marília Notícia. Inicialmente, queria que fosse tratado apenas por “voluntário desconhecido”, mas acabou aceitando fornecer seu primeiro nome para a reportagem.
Severino se mudou para Marília há dois anos e meio, depois de passar décadas vivendo em São Paulo. Ele contou que “virou mariliense” porque já tinha alguns parentes vivendo por aqui e sempre gostou da cidade.
“Saí de uma cidadezinha perto de Recife, em Pernambuco, com nove anos. Eu, meus pais e mais de dez irmãos. Lá eu tinha que trabalhar na lavoura, então não dava para estudar. Fiquei menos de quatro anos na escola”, disse ao MN.
(Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)
O pouco estudo não impediu que Severino criasse uma verdadeira adoração pelos livros, o que o motivou a construir com madeira e outros materiais “recolhidos por aí”, como diz ele, a estante que fica debaixo de uma árvore.
Dentro dela estão obras infantis, clássicos da literatura brasileira, livros de contos, romances, títulos religiosos, científicos, filosóficos. “Tem para todos os gostos. Pode ler à vontade, mas tem que cuidar e devolver. Não pode estragar”, comentou o voluntário.
Quem frequenta a praça verá sempre algum leitor utilizando bancos e mesas também construídas pelo mesmo senhor. Severino começou a cuidar daquele espaço público por influência de outras pessoas que faziam a manutenção e a rega de plantas.
Severino e uma leitora (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)
“Temos que cuidar. A responsabilidade é de todos”, afirmou. Atualmente, Severino é conhecido como uma espécie de síndico ou zelador da praça. Ele inclusive espalhou diversas placas pedindo zelo com a área.
Agora, ele tem recebido outros convites para espalhar seu projeto por outros bairros da cidade. “Fico muito feliz que as pessoas estejam gostando e, principalmente, lendo os livros”, afirmou.
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