Brasil e Mundo

Aeronáutica colombiana confirma que avião caiu sem combustível

O atraso para embarque de São Paulo com destino a Medellín desencadeou uma série de decisões atropeladas e arriscadas, incluindo o não reabastecimento da aeronave, que culminaram no acidente fatal. Se esse voo fretado, de cujo plano constava uma parada para reabastecimento em Cochabamba, na Bolívia, para reabastecimento, tivesse sido autorizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a delegação do time de futebol chegaria ao destino às 23h (de Brasília; 20h na Colômbia) de segunda-feira.

O regulamento da Anac só permite um voo fretado do Brasil à Colômbia se a empresa for brasileira ou colombiana. Assim, a solução da Chapecoense foi embarcar numa aeronave da BoA (Boliviana de Aviación) para Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) e de lá, iniciar a viagem com a Lamia.

O voo da BoA, no entanto, atrasou mais de uma hora para sair do Brasil: a previsão era às 15h15m, mas decolou às 16h22m. E a aterrissagem, prevista para as 17h32m, aconteceu às 18h41m.

Com isso, o voo entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín, que passou a ser a nova rota, também atrasou. E impossibilitou uma parada em Cobija (Bolívia) para reabastecimento. Isso porque esse aeroporto não opera à noite, e a previsão de chegada nesse local era por volta das 20h.

Assim, o piloto Miguel Quiroga, também sócio da Lamia, optou por seguir direto, sem pousar em Cobija nem Bogotá, uma segunda opção para reabastecimento. Economizaria, assim, cerca de uma hora. Encheu o tanque, cuja autonomia era de 2.963 quilômetros para uma distância de 2.985 quilômetros.

O plano não contava com a espera para o pouso. Um outro avião, da Viva Colombia, declarou situação de emergência e ganhou prioridade. E a aeronave que transportava a Chapecoense precisou dar duas voltas, procedimento conhecido como órbita, para aguardar a autorização de pouso.

A opção por viajar com o tanque justo, sem reserva ou parada, foi apontada por Bruno Goytia, filho do copiloto Ovar Goytia que estava no avião, como o motivo da queda, segundo entrevista concedida por ele ao jornal boliviano “El deber”.

— Tomaram a decisão de encher o tanque por completo e seria possível fazer o pouso, tanto que caíram a apenas 17 milhas do aeroporto, que correspondem a três ou cinco minutos. Mas o tráfego de espera consumiu todo o combustível que restava — afirmou Bruno, que estuda pilotagem. — Pelo que eu tinha entendido, haveria uma escala em Cobija. Mas o avião que estava trazendo os jogadores da Chapecoense a Bolívia teve um atraso. Então, não podia aterrissar em Cobija, pois não há operações noturnas, pois não há luz na pista. Aí tomou-se esta decisão de encher o tanque por completo. Além disso, os jogadores tinham que treinar.

Segundo um controlador de voo, que pediu anonimato, a tática de economia de combustível, viajando sem reserva é velha conhecida. Conta que os pilotos de empresas que adotam esse mau costume evitam declarar emergência à torre para não levantar suspeitas, o que acarreta investigação imediata e multas pesadas à empresa.

De acordo com Jorge Barros, piloto da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e que já trabalhou para Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes (Cenipa), o piloto Quiroga não soube lidar com uma possível frustração de seu cliente, que poderia chegar mais tarde que o previsto no destino, caso fizesse uma parada para reabastecimento.

Fonte: Extra

Amanda Brandão

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