Polícia

Adolescente denuncia mãe e padrasto por agressões, enforcamentos e cárcere em Marília

Uma adolescente trans, de 17 anos, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Online denunciando o padrasto e a própria mãe por violência doméstica, lesão corporal, enforcamentos, ameaças e cárcere privado. O caso será encaminhado para investigação da DDM de Marília.

De acordo com o registro policial, a jovem afirma que as agressões eram praticadas pelo padrasto, mas com a conivência e participação da própria mãe. Segundo o relato, os episódios de violência ocorreram em diferentes ocasiões, sendo o mais grave registrado em abril deste ano.

A adolescente relatou que, após o padrasto deixar a prisão, uma discussão entre ela e a mãe terminou em agressões físicas. Conforme a denúncia, o homem desferiu socos e tapas contra a vítima. Posteriormente, ao descobrirem que a jovem estava dependente de opioides, a mãe teria destruído seu quarto. Na sequência, o padrasto teria a amarrado, a enforcado e voltado a agredi-la com socos e tapas até que ela desmaiasse. Ainda segundo o boletim, a moça afirma que permaneceu trancada no quarto por aproximadamente dois dias, sem poder sair.

No depoimento, a adolescente afirma ainda que as agressões eram recorrentes e que, sempre que tentava se defender de ataques da mãe, o padrasto intervinha utilizando força física, com socos, tapas e enforcamentos. Ela também relata que, em um dos episódios, foi imobilizada pela mãe, pelo padrasto, pelo irmão e pela avó, sendo ameaçada de internação compulsória em um hospital psiquiátrico com base em laudos apresentados pela mãe.

A vítima também declarou que era frequentemente ofendida com xingamentos e acusou o padrasto de envolvimento com drogas. As alegações serão apuradas pela Polícia Civil.

O boletim foi registrado como violência doméstica e lesão corporal praticada contra mulher por razões da condição do sexo feminino, conforme a Lei Maria da Penha. A jovem não solicitou medida protetiva de urgência no momento do registro, mas foi orientada sobre esse direito e deverá realizar exame de corpo de delito para auxiliar na investigação.

A ocorrência foi encaminhada para a Delegacia de Defesa da Mulher de Marília, que dará prosseguimento às investigações.

Michele Rodrigues

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