Polícia

Acusado de torturar menores em clínica da região morre baleado pela PM

Um homem de 43 anos, procurado pela Justiça pelos crimes de tortura e associação criminosa, morreu após ser baleado durante uma ação da Polícia Militar na noite deste último sábado (18), no Jardim Tangará, em Lins. Imagens de câmeras de segurança registraram a abordagem (veja vídeo abaixo).

Ele tinha envolvimento em um caso de maus-tratos a menores em uma clínica de Penápolis, em 2021. O desfecho foi registrado como homicídio decorrente de resistência à intervenção policial e captura de procurado. A Polícia Civil investiga os detalhes da ocorrência.

Conforme apurou a reportagem, dados preliminares indicam que os policiais militares atuavam em uma operação voltada ao cumprimento de mandados de prisão quando localizaram o suspeito na rua Jocelin Guimarães de Melo.

Segundo as informações, o homem chegou a um imóvel em uma motocicleta vermelha e, ao perceber a tentativa de abordagem, fugiu a pé, mantendo uma das mãos na região da cintura.

Ainda de acordo com a versão dos policiais, houve ordens de parada, mas o suspeito continuou correndo. Em determinado momento, ele se voltou na direção da equipe, aparentando sacar um objeto da cintura. Diante da suspeita, um policial militar efetuou um único disparo, atingindo o morador, que caiu ao solo.

Era um celular

Após a ação, os agentes constataram que o objeto que estava com ele era, na verdade, um telefone celular. O homem chegou a ser socorrido para a Santa Casa de Lins, onde passou cirurgia, mas não resistiu.

Imagens do caso foram apresentadas à Polícia Civil e mostrariam o momento em que o homem foge dos agentes com uma das mãos na cintura, circunstância que, segundo a versão preliminar, pode ter levado o policial a supor risco iminente.

A arma utilizada — uma pistola Glock calibre .40 da corporação — foi apreendida, assim como o carregador com 14 munições intactas.

Tortura de menores

Dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) apontam que o homem era procurado para cumprir pena em regime fechado após condenação em processo que apurou crimes cometidos em uma clínica.

Na sentença, a Justiça indicou que o caso envolvia acusações de tortura, maus-tratos, privação de liberdade e associação criminosa contra internos da unidade, incluindo adolescentes, em fatos ocorridos entre março e julho de 2021.

As vítimas relataram agressões, castigos, restrição de alimentação, administração irregular de medicamentos e situações de cárcere privado dentro do espaço. O processo, que tem outros réus, reuniu laudos, fotografias, relatórios e depoimentos colhidos ao longo da investigação policial.

Carlos Rodrigues

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