Sentença de pronúncia da Justiça de Marília definiu o júri popular para Luan Silva Gomes, de 21 anos, acusado de matar a tiros a jovem Paola Cristiane Lourenço, de 24 anos, em um crime ocorrido em fevereiro de 2024, no Parque dos Ipês, zona sul.
Ele alega legítima defesa e a acusa a vítima de ter envolvimento em furtos em residências. Já o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), vê execução na madrugada e possível ligação com suposta “faxina contra usuários”, para benefício do tráfico de drogas.
Decisão foi assinada pela juíza Josiane Patrícia Cabrini Martins Machado, da 1ª Vara Criminal de Marília. A magistrada concluiu haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri, que tem competência para crimes contra a vida.
Luan responderá por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime conexo de porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada.
Na decisão, a juíza também manteve a prisão preventiva do acusado, afirmando que não houve qualquer fato novo capaz de justificar a revogação da custódia cautelar.
Morte na madrugada
O assassinato aconteceu por volta da 1h15 da madrugada, na rua Anelda Volta Brazini. Segundo a investigação, Paola estava sentada na calçada ao lado do namorado, de 25 anos, quando foi surpreendida pelos disparos.
Laudo necroscópico apontou que a jovem foi atingida por tiros na boca e na clavícula, com trajetória até a parte posterior do pescoço. Perícia indicou que os disparos foram feitos a curta distância e sem possibilidade de defesa da vítima.
O caso provocou forte repercussão na região pela violência da execução e pelas circunstâncias apresentadas durante as investigações.
As apurações conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) revelaram um cenário de conflitos envolvendo tráfico de drogas, furtos e disputa territorial no bairro.
Limpeza contra ‘usuários que furtam‘
Conforme depoimentos colhidos no processo, a vítima e seu acompanhante seriam usuários de drogas e conhecidos nos meios policiais por furtos de fios e materiais de construção na região.
Testemunha afirmou em juízo que o réu era conhecido desde a infância e atuava como fornecedor de entorpecentes no bairro. O casal já teria sido advertido, diversas vezes, para que cessassem os furtos, já que os crimes estariam atraindo atenção policial e prejudicando o tráfico.
Porém, os autos revelam versões conflitantes sobre o que aconteceu na noite do crime. A acusação aponta que Luan se aproximou já armado com um revólver calibre .32. Paola teria chegado a erguer a mão, pedindo para que o acusado parasse.
Mas, conforme depoimento, após o primeiro disparo a jovem caiu no chão e Luan teria efetuado outros tiros “como se quisesse se certificar da morte”. O namorado teria corrido e se escondido atrás de um carro, por medo de também ser morto.
Luan confessou ter efetuado os disparos, porém, alegou legítima defesa. Segundo o acusado, Paola e o namorado o ameaçavam de morte após ele confrontar o casal sobre um furto ocorrido na residência de sua mãe.
Ele afirmou que, na noite do crime, ambos teriam avançado contra ele armados com facas, o que teria motivado os disparos.
Banco dos réus
O réu segue preso e agora, com a sentença de pronúncia, poderá ter julgamento agendado. Antes do desfecho no júri popular, porém, poderá recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), em um dos últimos recursos possíveis para evitar julgamento.
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