Marília

Ação de combate à leishmaniose recolhe 8 toneladas

Coleta de materiais orgânicos na zona norte da cidade; população de quatro bairros pode colocar os resíduos em frente às casas. (Foto: Divulgação)

Entre segunda (15) e quinta-feira (18) a ação de manejo ambiental realizada pela Prefeitura de Marília, por meio das secretarias municipais da Saúde e Meio Ambiente/Limpeza Pública, retirou de quatro bairros da zona norte da cidade cerca de oito toneladas de materiais orgânicos que poderiam favorecer à proliferação do mosquito palha. A iniciativa é uma das ações para o controle da Leishmaniose Visceral na região.

A adesão da população tem sido grande, avalia a coordenadora da Divisão de Zoonoses, Ticiana Donatti dos Reis. A principal dificuldade, porém, é com o descarte desse tipo de material que necessita ser acondicionado em sacos plásticos.

“Pedimos que os moradores utilizem algum tipo de embalagem, principalmente para as folhas, frutas apodrecidas, fezes de animais, enfim, os pequenos detritos orgânicos. Isso facilita a recolha e torna o trabalho mais ágil”, explica a veterinária.

Os resíduos que estão sendo recolhidos são aqueles que, em geral, não podem ser levados pela coleta do lixo residencial doméstico. Neste e no próximo mês, o caminhão da campanha de combate à leishmaniose passará às segundas, quartas e sextas-feiras no Jardim Santa Antonieta e Renata; às terças-feiras no JK e às quintas no Alcides Matiuzzi e Jânio Quadros. O Jardim Renata será atendido após a conclusão no bairro vizinho.

Não serão recolhidos móveis e outros utensílios de uso doméstico não relacionados aos riscos para leishmaniose. Para esse tipo de material, ocorrerão dois mutirões específicos durante o ano, sendo o primeiro já em março.

MOSQUITO-PALHA

Para combater o transmissor da leishmaniose, o município atua em três frentes: educação em saúde junto à comunidade, manejo ambiental (limpeza) e inquérito canino, que consiste no exame dos cães da área e orientação aos moradores sobre os cuidados com os animais domésticos.

Diferente do Aedes Aegypti, que necessita de água parada para pôr os ovos, o vetor da leishmaniose bota seus ovos em meio à matéria orgânica e alimenta-se do sangue de animais como galinhas e porcos. Ao picar o cão, a fêmea do mosquito infectado contamina o animal, que se torna reservatório e fonte de contaminação.

Por isso a importância de não manter galinheiros/chiqueiros em área urbana e cuidar da saúde dos cães, prevenindo parasitas com a coleira com defensivo químico (popularmente conhecida como antipulgas).

Os sintomas da doença nos animais são: emagrecimento, perda de pelos, fraqueza, feridas, gânglios inchados, crescimento exagerado das unhas, anemia, entre outros.

A DOENÇA

Em humanos, a doença causa febre intermitente com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, aumento do fígado e do baço (hepatomegalia e esplenomegalia), anemia e palidez.

Pode ainda comprometer a medula óssea, gerar problemas respiratórios, diarreia, sangramentos na boca e nos intestinos. Se o diagnóstico e o tratamento não forem realizados adequadamente, a leishmaniose pode matar.

Amanda Brandão

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