Marília

A cada seis dias, Marília tem um novo caso de câncer de próstata

Waldecir Assis Pereira, o Seu ‘Assis do Táxi’, superou a doença; ‘melhor um homem vivo, que um machão morto’ (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde os 50 anos, o taxista Waldecir de Assis Pereira, atualmente com 70, faz acompanhamento médico para prevenção ao câncer de próstata. Ele nunca se descuidou do controle, já que constatou logo cedo a predisposição.

Há quatro anos, ele recebeu o temido diagnóstico. “No dia em que descobri o tumor maligno, o teto caiu na minha cabeça”, conta o motorista. Foi o começo de uma difícil batalha, mas certeira e bem sucedida.

Segundo dados do Ministério da Saúde, somente em Marília, entre 2016 e 2019, o taxista e mais 250 homens receberam o diagnóstico de câncer de próstata. A cada seis dias, um morador da cidade recebeu a preocupante notícia.

Os dados de 2020 ainda não estão consolidados. O site do governo federal indica 20 casos até setembro, o que deve se elevar após as notificações pelas instituições de saúde.

A neoplasia maligna de próstata é a segunda principal causa de morte por câncer em homens, atrás apenas do câncer de pulmão. A doença pode ser tratada com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, ou mesmo com a combinação de terapias, de acordo com a indicação médica.

No caso de Waldecir, a intervenção foi apenas cirúrgica, o que não é comum. “Sempre tive a próstata aumentada, por isso meu acompanhamento era feito certinho. Monitorava sempre com o exame do toque e o PSA, porque não dá para brincar com a vida”, relata.

Aos 66 anos, após uma consulta de rotina, o médico urologista desconfiou de anomalia e decidiu pedir uma biópsia. O resultado já indicou a presença de células cancerígenas.

“Uma médica que eu conheci orientou a buscar uma segunda opinião: foi confirmado, eu estava com câncer. O primeiro pensamento foi: ‘acabou, que bom que cheguei até aqui’. Mas depois, graças a Deus, eu levantei a cabeça e fui à luta”, conta o taxista.

Ir à luta significou, para ele, pagar parte do atendimento médico, principalmente as primeiras consultas. Em seguida, foi integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e fez uma cirurgia. “Fui muito bem atendido. Estas cirurgias demoram em média três horas, a minha levou cinco”, conta.

Waldecir segue em acompanhamento, mas os valores em teste de PSA, que era de 8,9 ng/ml na época em que teve o diagnóstico, caiu para 0,5 ng/ml em seis meses e, segundo ele, atualmente está em 0,01 ng/ml.

O exame mede o volume de uma enzima produzida pela próstata, em nanogramas por milímetros. Em homens com mais de 65 anos saudáveis, o valor médio não passa de 4 ng/ml.

Para Assis, preconceito é tolice. “Mais vale um homem vivo, para sua esposa, seus netos, que um machão morto”, brinca.

Mortalidade

Conforme o Atlas de Mortalidade, uma ferramenta do Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre 2016 e 2018, 50 moradores de Marília faleceram com o câncer de próstata. No mesmo período, 193 homens receberam o diagnóstico.

Os números referentes a óbitos em 2019 ainda não foram disponibilizados. Os dados apresentados pelo Marília Notícia são referentes apenas aos moradores de Marília, independente do local em que fizeram tratamento.

Vale lembrar que a cidade é uma das referências na atenção oncológica e recebe, em seus hospitais, pacientes do SUS, convênios e particulares.

A prevenção do câncer de próstata – incentivada principalmente no Novembro Azul – pode ser feita na rede básica de saúde o ano todo. Os casos suspeitos são encaminhados para a Policlínica na zona Oeste, onde um especialista pode pedir biópsias e direcionar pacientes positivos aos hospitais.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir de 50 anos iniciem acompanhamento periódico com especialista. Quem é negro ou têm parentes de primeiro grau com câncer de próstata, deve começar aos 45 anos.

Carlos Rodrigues

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