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Meu melhor amigo

Coluna
11 de março de 2022

Foto de quando éramos crianças, eu (Rodrigo) e Eduardo (Foto: Arquivo Pessoal)

Por Rodrigo Therezo

A morte recusa a linguagem. Tenho certeza que meu amigo falecido, Sr. Eduardo Ferreira da Silva, assinaria embaixo. Aliás tudo que o Eduardo fazia tinha uma certa assinatura que o caracterizava, que o tornava insubstituível.

Conheci o Du quando ele veio pra Marília de São Paulo. Lembro dele sozinho no Yara, jogando basquete, procurando amizades. E logo as encontrou. Se tornou um dos alunos mais gostados do colégio, admirado por todos e todas. Em pouco tempo começou a nadar pela equipe do Yara onde ganhou destaque com conquistas de porte nacional. Ele parecia um urso nadando e ninguém, simplesmente ninguém ganhava dele.

Mas a piscina era muito pequena pro Du: ele sempre quis bater asas, chegar mais longe. Era curioso por ideias, inclusive aquelas que não batiam com as suas. Como explicar que ele era meu melhor amigo? Ele, anti-Lulista e de direita; eu, mais esquerda do que o Lula. E mesmo assim, nunca brigamos. Nunca.

E eu tenho certeza que eu dei (vários) motivos, como ele também. Mas havia um amor tão profundo que segurava qualquer raiva. Ele gostava tanto de mim, nem eu sei porque. E eu gostava tanto dele, e também não sei porque. Gostaria de abraçá-lo uma última vez, de agradecer por ter sido meu melhor amigo por tantos anos. De dizer pra ele como gostava dele e como sabia que ele gostava de mim. “Para de viadagem, Digão,” ele certamente responderia.

Tinha um coração de ouro. Era leal. Era o Eduardo, meu melhor amigo.

Empresário Eduardo Ferreira morreu no último dia 17 vítima de mal súbito (Foto: Divulgação/Redes Sociais)